Por Gustavo Martins-Coelho

Tudo começou com uma imagem do Duarte Marques no Facebook [1]. Como sempre me ensinaram que é feio mentir, decidi repor a verdade dos factos aqui na «Rua da Constituição» [2]. Um ano volvido, esse meu artigo é o segundo mais visto de sempre neste blogue, pelo que achei que estava na hora de actualizar os dados com o balanço de meio mandato da coligação que treme e não cai [3]. É muito simples: a dívida, que, no último gráfico, se encontrava nos 110,9% do PIB em Junho de 2012, está, um ano depois (em Junho de 2013) nos 126,9% e é provável que, no final do ano, venha a situar-se algures entre os 126% e os 132% do PIB. É o ritmo de crescimento mais rápido da dívida pública desde os tempos difíceis que levaram à intervenção do FMI em 1983!

Muitas das conclusões oferecidas por esta imagem já foram descritas no artigo do ano passado [2]: analisando a evolução da dívida entre 1980 e 2008 separadamente da sua evolução de 2008 para cá (dado que esse ano marcou a extensão da crise económica mundial a Portugal), verifica-se que, no primeiro período, o único governo que diminuiu a dívida pública era do PS, o governo que menos a fez crescer era do PS, e os governos que mais a fizeram crescer eram do PSD (coligado com o CDS e o PPM); de 2008 até ao presente, o crescimento da dívida durante o período de governação do Sócrates foi, ainda assim, um pouco inferior ao do actual Governo.

Dois anos depois das últimas eleições legislativas, parece avolumar-se a evidência de que, se o objectivo principal deste Governo era reduzir, ou, pelo menos, controlar a dívida pública, a estratégia seguida está a falhar estrondosamente. Os sacrifícios estão a ser em vão; porquê continuar?