Por Gustavo Martins-Coelho, com TO

Esta é a reedição do relato que deixámos a propósito do Interrail [1] que fizemos por essa Europa fora, já lá vão quase dez anos. As regras eram diferentes, em 2005, pelo que pouca informação haverá nestas linhas, do ponto de vista prático (mesmo porque não houve uma grande preocupação da nossa parte em relatar esse aspecto, ao longo da viagem, sendo a ênfase colocada sobretudo no que foi sendo visitado e visto), que interesse ao leitor que queira planear o seu próprio Interrail. Provavelmente, algumas atracções turísticas também já serão diferentes, ou terão deixado de existir, e outras terão surgido. Mas recordar é viver e não houve férias como essas. Ou talvez tenha havido, mas essas marcaram qualquer coisa de especial; e de bom.

Quarta-feira, 27 de Julho de 2005. O comboio partiu a horas (embora com quatro anos de atraso) e, o que é mais surpreendente, chegou a Coimbra a horas. E foi então que as aventuras começaram, ainda em Portugal, pois faltava um Cartão Jovem. Não porque o Tê o tivesse perdido, mas simplesmente porque não o tinha feito! O primeiro contra-relógio, da estação de comboio à estação de correios, o inter-estações, portanto, permitiu-nos chegar ao destino em quinze minutos, ainda antes da hora de fecho. Feito o cartão, restavam pouco mais de dez minutos para fazer o inter-estações em sentido inverso e entrar no Sud Express. Mas a missão foi plenamente cumprida, sendo de assinalar o nosso heróico esforço de corrida com a mochila para quinze dias de viagem às costas.

Depois do jantar — frugal — a bordo, seguiram-se inúmeras tentativas de encontrar a posição certa para dormir. Na classe económica, faz-se economia de camas. Começámos então por tentar com os pés para cima, mas adormeciam os ditos cujos em vez dos donos. A seguir, pernas dobradas, mas não suficientemente dobradas para caberem no exíguo espaço. Terminámos com as pernas para baixo e a cabeça para cima, ou seja, sentados. Pelo meio foi dando para dormir… De destacar também a brilhante interpretação da Sinfonia em Ronco Maior para duas vozes, que nos foi proporcionada pela Orquestra Filarmónica «La concierge et le français timide».