Por Gustavo Martins-Coelho, com TO

Quinta-feira, 28 de Julho de 2005. Chegados a Hendaia, tomámos o pequeno-almoço numa pastelaria em frente à estação; carote, por sinal. Mudámos de comboio, porque a Península Ibérica é uma ilha ferroviária, e partimos rumo a Biarritz [1].

Dizia o guia que Biarritz fora um destino afamado entre a aristocracia do século XIX, mantendo-se ainda o seu cosmopolitismo. Pudemos confirmar com os nossos olhos, não só que o guia estava certo, mas também que a aristocracia desse tempo se tratava bem, permitindo-nos ainda acrescentar que, se as «pequenas casas de férias» de que falava o guia são os palacetes ou mesmo palácios que vimos, então o que não serão as casas do dia-a-dia!

O Rochedo da Virgem (Rocher de la Vierge), tal como o nome indica, é o rochedo sobre o qual Napoleão III mandou erigir uma imagem de Nossa Senhora [2]. Actualmente, além de ser o símbolo da cidade (a ponto de constar como imagem de fundo em todas as placas toponímicas, ao contrário dessas outras placas verdes minimalistas, sobre as quais muito teríamos a dizer, mas não o faremos, por não ser este o espaço indicado), o Rochedo é também um miradouro para a cidade.

Partimos do referido miradouro em direcção ao centro de Biarritz, onde demos um breve passeio, entrámos na Catedral e sentámo-nos na Praça principal a descansar um pouco, que isto de andar com a casa às costas está bom para os caracóis (por falar em caracóis, agora percebemos por que motivo os simpáticos animaizinhos andam tão devagar).

O Lago Mariquinhas (assim se traduz o nome do Lac Marion em Português) foi a paragem final antes de voltarmos à estação e retomarmos viagem. Mais um pouco de descanso entre nogueiras e salgueiros e ao som de patos a grasnar em Francês, e chegámos finalmente à estação, a arfar.

Entrámos de novo no comboio e só saímos em Bordéus. Chegar à Pousada da Juventude não foi difícil, graças à preciosa ajuda dum transeunte muito prestável, que até nem conhecia a cidade, mas que, pelo visto, sabia ler mapas, ao contrário de nós. Depois de instalados, bem almoçados e, acima de tudo, com as costas muito mais leves, fizemo-nos de novo, não à estrada, mas ao passeio, porque somos peões.