Por Satoshi Kanazawa [a]

Num artigo anterior [2], eu expliquei como a instituição da poligamia retira a alguns homens a oportunidade de acasalamento. No entanto, como terá notado um leitor astuto, a matemática da poligamia apresentada nesse artigo assume que as mulheres, seja num casamento monogâmico ou em poligamia, permanecem «fiéis» aos seus maridos e acasalam apenas com eles. Os biólogos evolutivos sabem que este não é o caso. As mulheres sempre foram levemente promíscuas, ao longo da história evolutiva humana.

Como sabemos isto? Ao contrário de artefactos físicos ou de restos de esqueletos, o comportamento social humano, como o acasalamento, não deixa registos fósseis. Então, como é que sabemos que as mulheres não têm sido sexualmente exclusivas dos seus maridos ao longo da história evolutiva humana? Acontece que existe um sinal claro da promiscuidade das mulheres no corpo do homem, nos seus órgãos genitais, para ser preciso.

O primeiro dado é o tamanho relativo dos testículos. Entre espécies, quanto mais promíscuas são as fêmeas, maior é o tamanho dos testículos dos machos em relação ao peso do seu corpo. Isto acontece porque, quando uma fêmea copula com vários machos num curto espaço de tempo — por outras palavras, quando ela é promíscua ——, os espermatozóides de vários  machos têm de competir entre si para alcançar o ovo, a fim de inseminá-lo. Este processo é conhecido como «competição espermática». Uma boa maneira de vencer os adversários é superá-los pelo número. Os gorilas macho, cujas fêmeas vivem num harém rigidamente controlado por apenas um macho e, portanto, não têm muitas oportunidades para cópulas fora desse contexto («amantes»), têm testículos relativamente pequenos (0,02% do peso corporal) e produzem um número muito pequeno de espermatozóides por ejaculação (50 milhões). Estes machos não têm de produzir uma grande quantidade de esperma para engravidar as suas fêmeas, porque os seus espermatozóides não correm o risco de ter de competir com os de qualquer outro macho.

No outro extremo, temos os chimpanzés macho, cujas fêmeas são altamente promíscuas e não se ligam a um único macho (por outras palavras, eles não formam casais estáveis), têm testículos relativamente grandes (0,3% do peso corporal) e produzem um número muito grande de espermatozóides por ejaculação (600 milhões). Assim, em comparação com os gorilas, os chimpanzés têm testículos quinze vezes maiores e produzem doze vezes mais espermatozóides por ejaculação. Eles têm de ser assim, se quiserem ter alguma esperança de vencer o esperma doutros machos e inseminar o óvulo antes deles.

Nesta escala, os seres humanos encontram-se algures entre o gorila e o chimpanzé, mas mais perto do primeiro do que o segundo. Os testículos dos homens pesam cerca de 0,04% a 0,08% do seu peso corporal, e o número aproximado de espermatozóides por ejaculação é de 250 milhões. Assim, as mulheres têm sido mais promíscuos do que as fêmeas de gorilas ao longo da sua história evolutiva, mas não tão promíscuas como as fêmeas de chimpanzés. O sinal da promiscuidade das mulheres ao longo da história evolutiva está no tamanho relativo dos testículos dos homens. Os homens não teriam testículos tão grandes, nem produziriam tantos espermatozóides por ejaculação, se as mulheres não fossem tão promíscuas. Mas, por outro lado, os seus testículos seriam muito maiores e produziriam muito mais espermatozóides por ejaculação, se as mulheres fossem mais promíscuas.

Mas basta de falar sobre os testículos. No próximo artigo, vou falar sobre o pénis e do que os homens fazem com ele.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).