Por Carlos Lima

As células precisam constantemente de oxigénio e de libertar dióxido de carbono. Para que tal aconteça, é necessário que se reúnam três condições: a existência de uma fonte de oxigénio (ar), uma forma de colocá-lo dentro do organismo (pulmão) e um meio de transporte para a célula (sangue); e o inverso é válido para o dióxido de carbono.

O pulmão é um órgão par, está totalmente contido dentro da cavidade torácica e á protegido pela grelha costal. O pulmão direito possui três lobos e o esquerdo dois, devido ao espaço ocupado pelo coração. O pulmão é protegido pela pleura, que é uma membrana dupla — a parte torácica e a parte pulmonar — com o espaço entre os dois folhetos preenchido por um líquido lubrificante (líquido pleural), que lhes permite deslizar suavemente uma sobre a outra. O pulmão também possui um lubrificante, o surfactante, que evita que o pulmão colapse.

O ar chega ao pulmão através da via aérea superior e, a partir da traqueia, distribui-se por um emaranhado de ramificações até chegar aos alvéolos, conhecida como árvore brônquica. Este conjunto de ramificações é uma estratégia desenvolvida para aumentar consideravelmente a área exposição do ar e facilitar as trocas gasosas necessárias à vida. Podemos dizer que tal foi conseguido, pois a área total ultrapassa os setenta metros quadrados, ou seja, equivale a um campo de ténis.

A importância vital das trocas gasosas é tanta, que a parte cardíaca direita é inteiramente dedicada à circulação pulmonar, também conhecida por pequena circulação. É no pulmão que o sangue liberta o dióxido de carbono resultante do trabalho celular e absorve o oxigénio. A respiração que decorre entre o pulmão e a célula é conhecida como respiração interna; e a realizada entre o pulmão e o exterior é conhecida como respiração externa.

A ventilação pulmonar consiste na capacidade que o pulmão apresenta para as trocas gasosas, os volumes suportados e as frequências respiratórias. Numa inspiração normal, em repouso, fazemos chegar ao pulmão cerca de meio litro de ar; inspiramos doze vezes por minuto, o que quer dizer que, mesmo a dormir, precisamos de aproximadamente seis litros de ar por minuto. Quando fazemos uma inspiração profunda, o volume aumenta para três litros. A respiração varia conforme a necessidade de oxigénio, pelo que, quanto maior é a actividade física, maiores são o consumo e a frequência respiratória.

Quer a inspiração quer as trocas gasosas são realizadas por existirem diferenças de pressão. Assim, a inspiração realiza-se porque a contracção dos músculos respiratórios cria uma menor pressão dentro do pulmão do que na atmosfera; isto faz com que o ar entre para equilibrar as pressões. A expiração dá-se quando os músculos respiratórios descontraem, criando maior pressão no ar dentro do pulmão do que na atmosfera; e o ar é expelido. Já a passagem do oxigénio acontece porque o sangue que chega ao pulmão é mais pobre em oxigénio que o ar que inspiramos (40 mmHg no sangue e 105 mmHg no ar). O pulmão funciona como uma membrana, que permite a passagem das moléculas de oxigénio, gerando assim concentrações iguais no sangue e no ar do pulmão. O contrário acontece com o dióxido de carbono, em que a concentração no sangue é superior à concentração no ar pulmonar.

As condições de equilíbrio podem ser alteradas por factores internos e externos; por exemplo, nos locais de grande altitude, o ar possui menor concentração de oxigénio, pelo que o equilíbrio gerado está a níveis muito mais baixos do que os que estamos habituados e surgem as manifestações da baixa de oxigénio (tonturas, sensação de falta de ar, confusão mental). Outra situação é o caso das intoxicações por fumo — o monóxido de carbono compete pelos receptores de oxigénio nos glóbulos vermelhos; como as ligações com monóxido de carbono são mais estáveis, não há uma noção da falta de oxigénio, mas o estado geral vai-se degradando e leva mesmo à morte.

As doenças mais comuns relacionadas com o pulmão são a asma, a bronquite, a tuberculose e a pneumonia. Mas a que mais choca é o cancro do pulmão, porque é a doença evitável mais mortífera que se conhece. É evitável porque depende em grande medida do consumo de tabaco, ou da permanência em ambientes muito poluídos.

Saúde!