Por Carlos Lima

A bexiga é um órgão muscular oco, parecido com um balão; situa-se na cavidade pélvica, por trás da sínfise púbica (união anterior dos ossos da bacia) — no homem, logo anterior ao recto [1] e, na mulher, à frente da vagina e do útero.

Na sua estrutura, destaca-se o triâgulo, que é formado pela abertura interna da uretra e pelos locais onde terminam os ureteres, que trazem a urina do rim [2]. O corpo da bexiga é a parte muscular, com grande capacidade de se expandir e contrair. As paredes do corpo da bexiga são constituídas por três camadas de músculo liso, possuindo fibras musculares entrelaçadas em todas as direcções, originando o músculo detrusor, que, quando se contrai, forma rugas ou pregas.

A abertura interna da uretra é protegida por dois esfíncteres: o esfíncter interno e o esfíncter externo. A abertura do esfíncter interno é involuntária, e é a pressão exercida sobre este esfíncter, em conjunto com a actuação dos sensores de expansão da bexiga, que nos permitem a sensação de querer urinar. Abaixo do esfíncter interno da bexiga, situa-se o esfíncter externo da uretra, que é composto por músculo esquelético, de contracção voluntária.

A função da bexiga é servir de reservatório de urina; a capacidade média é de 700 a 800ml, mas, quando a bexiga atinge os 200 a 400 ml, os receptores de expansão da bexiga transmitem impulsos à porção inferior da medula espinhal. Estes impulsos são enviados ao córtex cerebral [3] e inicia-se o desejo consciente de urinar. Em resposta, recebe a informação mecânica de relaxamento do esfíncter interno. A pressão sobre o esfíncter externo estimula a acção voluntária de contracção desse músculo; se houver o relaxamento, inicia-se o processo de libertação de urina para o exterior pela uretra, ou seja, o acto de urinar. Este processo é iniciado e interrompido voluntariamente, devido ao controlo do esfíncter externo nos centros nervosos superiores.

A falta de controlo voluntário da micção, ou perda involuntária de urina, é conhecida como incontinência urinária. Antes dos dois anos de idade, esta incontinência é normal, porque os neurónios do músculo do esfíncter externo não estão completamente desenvolvidos. O controlo emocional e algumas doenças podem suprimir a sensação de urinar e, nestas situações, a pessoa urina sempre que a bexiga atinge sensivelmente a distensão de 200 ml, ou se houver um estímulo externo que desencadeie a resposta inconsciente (por exemplo, o som de água a correr).

A incontinência urinária é mais frequente na mulher do que no homem, devido às diferenças anatómicas e ao maior risco da mulher desenvolver infecções urinárias. Por ser um factor de constrangimento social (vergonha) e considerada normal a partir de certa idade, é muitas vezes ignorado o tratamento da incontinência, apesar de sabermos hoje que a maioria dos casos é reversível.

A retenção urinária é um problema grave e exige actuação de urgência para o seu esvaziamento. As causas são diversas, podendo ser, não raramente, de natureza neurológica. No homem, devem-se com frequência ao aumento de volume da próstata.

A infecção da bexiga, ou cistite, é muitas vezes causada pela bactéria Escherichia coli, presente nas fezes. É mais comum na mulher e nas pessoas algaliadas cronicamente ou com retenção urinária. Na mulher, este facto deve-se ao curto percurso da uretra (7 a 10cm) e à proximidade entre a uretra e o ânus [4], bem como, muitas vezes, à forma como é realizada sua higiene, de trás para a frente, arrastando as bactérias anais para a uretra.

A bexiga neurogénica está relacionada com doenças do sistema nervoso central ou periférico, envolvidos no controlo da micção, podendo assumir duas características: hipoactiva (incapaz de se contrair, logo não se esvazia completamente) e hiperactiva (contrai-se aleatoriamente e por reflexos incontroláveis).

A bexiga permite-nos gerir melhor a nossa vida, permite-nos controlar, por exemplo, os nossos hábitos de trabalho e de sono. É afectada pelos nossos estados de saúde e emocionais. Merece a nossa atenção e cuidado. Vai uma mijinha… ah!…

Saúde!