Por Carlos Lima

Os ovários são as estruturas produtoras de células reprodutoras femininas. São dois e situam-se na cavidade pélvica, ao lado do útero e próximos da extremidade das trompas uterinas ou de Falópio. Produzem estrogénios e progesterona, que são responsáveis pelo desenvolvimento e pela maturação femininos. Juntamente com a hipófise, que se situa no cérebro, regulam o ciclo menstrual, mantêm a gravidez e preparam a glândula mamária para a lactação. Com a aproximação do parto, em conjunto com a placenta, produzem a relaxina, que ajuda no relaxamento da sínfise púbica e na dilatação do colo uterino. Também produzem a inibina, que inibe a produção de hormonas hipofisárias.

Os ovários desenvolvem-se durante a fase fetal (ainda no ventre materno). São constituídos por cinco partes: epitélio germinal, estroma, folículos ováricos, folículo maduro ou folículo de Graaf e corpo lúteo ou corpo amarelo. O epitélio germinal e o estroma são estruturais. Os folículos derivam do amadurecimento do óvulo, que, após a sua libertação na cavidade pélvica, é aspirado pelas trompas de Falópio. O corpo lúteo produz as hormonas que estão envolvidas no ciclo menstrual, na gravidez e no parto.

A formação dos óvulos ou oogénese inicia-se na fase fetal, por volta do terceiro mês, mas o amadurecimento só ocorre na puberdade, pela acção das hormonas libertadas pela hipófise. Algum meses após a menarca (primeira menstruação), iniciam-se as ovulações regulares, com uma frequência de aproximadamente uma por mês (pode variar entre 23 a 33 dias, sendo o mais comum 28 dias). Como os ovários são dois, há alternância na libertação, mas se, por qualquer razão, um deixar de ovular, o outro assume as funções.

No ciclo reprodutivo feminino, existem vários fenómenos. Ainda que associados pela regulação hormonal, o que se passa no ovário difere do que se passa no útero. Os processos do ovário são no sentido da maturação do óvulo e sua libertação. O que se passa no útero tem a ver com a preparação do útero para a nidação duma eventual fecundação; se esta não ocorrer, dá-se a menstruação.

No processo de amadurecimento do óvulo no ovário, estão envolvidas várias hormonas, que se auto-regulam. Do hipotálamo, vem a gonadotrofina, que inicia o processo, ao dar informações à hipófise para libertar as hormonas folículo-estimulante e lúteo-estimulante. A hormona folículo-estimulante activa a libertação de estrogénio pelo ovário e a lúteo-estimulante, além de estimular a libertação de estrogénio, estimula também a libertação de progesterona e inibina, ou, se ocorrer uma gravidez, de relaxina.

O estrogénio promove o desenvolvimento e a manutenção dos carácteres femininos, quer ao nível dos genitais, quer das características secundárias, como o aumento do volume das mamas. Actua ao nível da preparação do útero para uma eventual gravidez, mas também actua a nível sistémico, no organismo, pois interage no ciclo interno dos fluidos corporais e no anabolismo das proteínas, em conjunto com a gonadotrofina. Pequenas doses de estrogénio no sangue inibem a libertação de gonadotrofina. Como vimos atrás, a gonadotrofina é que inicia o processo; se ela for inibida, o processo não se desenvolve, e é este mecanismo que é aproveitado por alguns tipos de pílula anticoncepcional.

A progesterona trabalha em conjunto com os estrogénios para a preparação do endométrio para a nidação e das glândulas mamárias para a produção de leite. Altos níveis de progesterona no sangue também inibem a libertação de gonadotrofinas pelo hipotálamo e de hormona lúteo-estimulante pela hipófise.

Podemos falar de três fases do ciclo reprodutivo: menstrual, pré-ovulatória e pós-ovulatória. Na fase menstrual, as hormonas encontram-se todas na fase mais baixa. Na fase pré-ovulatória, predomina o estrogénio, com um aumento rápido da hormona lúteo-estimulante e da folículo-estimulante, com a aproximação da ovulação. A progesterona domina a fase pós-ovulatória.

A menopausa, ou climatério, representa o fim das ovulações, fazendo-se acompanhar por uma redução da libertação das hormonas envolvidas no ciclo menstrual. Pode interferir com as secreções vaginais e a vagina pode tornar-se menos elástica e menos húmida.

As principais doenças que afectam o ovários são os quistos, geralmente benignos, e as infecções pélvicas, que são frequentemente associadas a infecções sexualmente transmissíveis e podem levar à perda de fertilidade. A infertilidade feminina pode ser tratada quando existe um ovário funcionante, ou seja, capaz de desenvolver a fase da preparação do óvulo.

Se é seu desejo ter um filho e se deseja uma sexualidade saudável, lembre-se que ela passa por se proteger das infecções sexualmente transmissíveis…

Saúde!