Por Gustavo Martins-Coelho [a]

Na semana passada, tive o meu primeiro piquenique deste ano, com o grupo que, à Quarta-feira à tarde, participa no Espaço Saúde, no Centro de Saúde de Estarreja. A comida estava óptima, tanto as sardinhas como os doces, e nem faltou o caldo verde!

O piquenique é um tipo de convívio comum em toda a Europa e evoca a partilha, o convívio e o contacto com a Natureza. No entanto, como em todas as actividades humanas, existem riscos envolvidos; e a melhor forma de preveni-los é conhecê-los. Por isso e porque esta é a época, por excelência, para piquenicar, achei por bem abordar o assunto no «Consultório…» [2] desta semana.

O tempo quente fornece as melhores condições para o crescimento de bactérias, que podem causar intoxicações alimentares. Para se proteger a si, à sua família e aos seus amigos, é necessário cuidado na preparação e no transporte dos alimentos. Mantenha os alimentos frios numa mala térmica, a menos de 4 ºC, e mantenha-a fechada, sempre que não precisar de aceder ao seu conteúdo. Os produtos congelados podem ser colocados sem descongelar, para permanecerem frios durante mais tempo. Lave bem os alimentos frescos antes de colocá-los na mala. Se possível, coloque as bebidas e os alimentos em malas diferentes. Assim, os alimentos não são expostos ao calor exterior de cada vez que desejar tirar outra bebida da mala das bebidas.

Mantenha os produtos crus bem embrulhados e separados dos já cozinhados. Este cuidado impede a ocorrência de contaminação cruzada entre os diversos tipos de alimentos.

A limpeza das mãos e das superfícies utilizadas para o piquenique também é importante. O ideal é realizar o piquenique num parque de merendas apropriado para o efeito, como o do Parque Municipal do Antuã, onde fizemos o do Espaço Saúde, com boas condições sanitárias, nomeadamente contentores para o lixo e uma fonte de água corrente, que possa ser usada para lavar as mãos. Se for piquenicar num sítio sem estes equipamentos, então inclua um recipiente com água para lavar as mãos nos preparativos e alguns toalhetes de papel, ou toalhetes descartáveis próprios para a lavagem das mãos. Procure também manter todos os pratos e utensílios limpos; nomeadamente, evite reutilizar pratos e utensílios que tenham contido carne ou peixe crus ou sem os lavar com água quente e sabão. Doutra forma, existe o risco de que os sucos libertados possam contaminar com bactérias os alimentos já cozinhados. Este cuidado é particularmente importante quando o piquenique envolve um churrasco.

Outros cuidados a ter na preparação do churrasco são semelhantes aos que se devem ter na cozinha, em geral. Por exemplo, deve sempre deixar marinar no frigorífico e não no balcão da cozinha ou ao ar livre; e deve separar previamente uma parte da marinada, se pretender utilizá-la como molho, nunca reutilizando a que já esteve em contacto com a carne ou com o peixe. Se cozinhar previamente os alimentos para reduzir o tempo que passam no grelhador, deve procurar que o intervalo entre os dois actos de cozedura seja tão curto quanto possível.

A temperatura também é importante: os alimentos não devem passar mais duma a duas horas expostos a temperaturas entre 4 ºC e 60 ºC, pois este é o intervalo térmico no qual as bactérias são mais rápidas a propagar-se, levando a intoxicações alimentares. Assim, existem alguns procedimentos simples que permitem manter os alimentos frios frios e os quentes quentes. Os alimentos frios perecíveis devem ser mantidos na mala térmica a 4ºC até ao momento de serem consumidos. Depois de servidos, não devem permanecer ao ar livre durante mais de duas horas; se tal acontecer, rejeite-os. Alguns alimentos, tais como saladas e sobremesas, podem ser colocados em recipientes rasos envoltos em gelo, o qual deve ser substituído periodicamente, à medida que vai derretendo. Os alimentos quentes devem ser mantidos quentes, a temperaturas superiores a 60 ºC. Tal objectivo pode ser conseguido colocando-os num recipiente próprio até ao momento de serem consumidos; tal como com os alimentos frios, deve evitar que permaneçam mais do que duas horas expostos a temperaturas entre 4 ºC e 60 ºC. No final, não se esqueça de deixar o espaço limpo, tal como o encontrou.

Para terminar, deixo uma canção de Pedro Barroso, sobre um poema de Cesário Verde, alusiva aos piqueniques que já se faziam no século XIX [3].


Notas:

a: Este artigo é uma reedição de um outro, já publicado previamente neste blogue [1].