Por Carlos Lima

A vagina é o órgão feminino destinado a permitir a entrada do pénis, para libertar os espermatozóides, com consequente fecundação. Serve também para a expulsão do fluxo menstrual e para a passagem do feto durante o trabalho de parto, e está naturalmente associada ao prazer sexual.

Situa-se na região pélvica e é constituída por vagina externa, ou vulva (monte do púbis, grande lábios, pequenos lábios e clitóris), e vagina interna (canal vaginal e fórnix). O monte do púbis, também conhecido por monte de Vénus, é uma colecção de tecido adiposo (gordura), coberto por pêlos púbicos e destinada a defender a sínfise púbica (união dos ossos da bacia) do choque.

Os grandes lábios são duas pregas de pele que possuem tecido adiposo e glândulas sebáceas e sudoríparas (produtoras de suor), sendo cobertos por pêlos púbicos. Os pequenos lábios ficam habitualmente cobertos pelos grandes lábios; não possuem pêlos nem glândulas sudoríparas, mas possuem muitas glândulas sebáceas. Recobrem e protegem a entrada da vagina e da uretra.

O clitóris é uma pequena massa eréctil e muito inervada. Possuir capacidade eréctil (capacidade de aumentar de tamanho) com a estimulação e assume um papel importante na estimulação e prazer sexual.

A abertura da vagina ao nascimento vem protegida pelo hímen, que ajuda a isolar a vagina de infecções, permitindo a passagem do fluxo menstrual. A perda do hímen pode ser devida a vários factores, mas é associada à primeira relação sexual, que assume maior importância, por ser considerada a perda da virgindade. Pode, ou não, ser acompanhada de um pequeno sangramento.

As paredes da vagina são protegidas e lubrificadas por um par de glândulas — as glândulas de Bartholin — principalmente activas durante a relação sexual.

O canal vaginal é constituído por pregas de mucosa e músculo. A mucosa é uma membrana modificada, mais irrigada e inervada, que precisa de ser humidificada em permanência; caso tal não aconteça, torna-se mais sensível e dolorosa (todos sabemos qual é a sensação de boca seca, pois a boca também é revestida de mucosa). Esta estrutura mucosa permite zonas de colonização de bactérias protectoras, que permitem manter a acidez da vagina e lhe dão um cheiro característico.

A camada muscular é constituída por músculo liso. O músculo liso é de contracção lenta e involuntária e geralmente contrai por propagação ou onda. Possui uma grande elasticidade, o que lhe permite a dilatação para receber o pénis durante a relação sexual e a dilatação mais acentuada durante o trabalho de parto (ainda que, nesta fase, existam processos inflamatórios preparatórios, que permitem uma maior elasticidade). Como músculo que é, tem a capacidade de retomar a sua postura inicial, permitindo que a vagina feche e tenha uma dimensão entre sete a oito centímetros de profundidade.

O fórnix vaginal é o anel que circunda o colo do útero [1] e que permite a utilização do diafragma como método contraceptivo.

Os problemas que mais afectam a vagina são as infecções sexualmente transmissíveis, como as condilomatoses e a sífilis (com as suas ulcerações típicas); as infeções por candidíase, devidas à proximidade anal [2] e a hábitos de higiene incorrectos. Se a higiene íntima for feita de trás para a frente, arrasta bactérias anais para a vagina. As infecções vaginais podem ser acompanhadas de corrimento e de cheiro mais intenso. Por vezes, as glândulas de Bartholin também infectam — bartholinite —, criando um aumento do volume da glândula, por deixar fluir as suas secreções. É extremamente dolorosa e, pelo local onde se situa, impeditiva da relação sexual.

Durante o trabalho de parto, pode ser necessária a realização de um corte na parte posterior da vulva, chamado episiotomia, para evitar que a estrutura entre a vagina e o ânus [2] rompa aleatoriamente, podendo comprometer o esfíncter anal. A sutura por camadas garante a normal função vaginal, após a cicatrização.

As neoplasias que afectam a vagina estão habitualmente associadas às estruturas próximas e raramente têm origem vaginal, ainda que as agressões por bactérias e por vírus as possam favorecer.

A vagina é uma porta do corpo humano, tem importante função na reprodução e no prazer. Historicamente, aparece associada a infecções sexualmente transmitidas, mas nunca se soube tanto sobre elas e como preveni-las como hoje. A nossa responsabilidade, a cada momento, é quebrar a cadeia de transmissão, para uma sexualidade mais segura.

Saúde!