Por Gustavo Martins-Coelho (com TO)

Ainda Sexta-feira, 29 de Julho de 2005. Continuando o nosso périplo por La Rochelle [1, 2], descemos então a Rua do Palácio, bastante parecida com a dos Retroseiros [2], que deve o seu nome ao Palácio da Justiça. E que palácio, por sinal! Mesmo ao lado, mas totalmente ofuscado pelo Palácio da Justiça, fica o Edifício da Bolsa, que também tem o seu interesse. Um amplo pátio, com as rés de dois navios incrustadas na parede, costumava de servir de local de compra e venda. Continuando a descer a Rua do Palácio, chegámos à Praça do Contrabaixo, não que se chame assim, mas o seu nome verdadeiro é igualmente criativo: Praça dos Pequenos Barcos. Para nós, contudo, ficará indelevelmente conhecida como Praça do Contrabaixo, pois, quando lá chegámos, um grupo musical de rua composto por um acordeão, uma guitarra e «meio» contrabaixo, interpretava «La Cumparsita». Nunca vimos um instrumento assim.

2014090701Parámos por baixo da Porta do Grande Relógio, antiga ligação do Porto Velho à cidade, e chegámos, como não podia deixar de ser, ao outro lado do Porto. Ramsés, o gato, quase comia o seu amigo Rato, o rato, durante o caminho sobre a barra de ferro. Valeu a pronta intervenção do domador, que retirou mesmo a tempo o Rato de dentro da boca do Ramsés.

A Torre do lado esquerdo, Chaîne de seu nome, é mais pequena e mais redonda do que a do lado direito, que nós visitáramos. Em direcção à Torre da Lanterna, a passo lento, pudemos observar o enquadramento das três torres.

Nada melhor do que terminar a visita a La Rochelle com um passeio pelo Parque Charruyer, um espaço verde à moda do Parque Biológico de Gaia [3].

E pronto, atravessámos a cidade toda de regresso à estação, que, como dissemos, é grande — muito grande. Permanecemos na estação à espera do comboio o tempo suficiente para apreciarmos com calma e toda a atenção que nos merece esse melodioso trecho musical que antecede as informações sonoras sobre partidas e chegadas: em vez do tradicional «dó-mi-sol-dó», em França ouve-se «lá-mi-fá-dó», cantado pela voz doce duma menina. É um gosto saber que o comboio parte da linha quatro.