Por Carlos Lima

Os glóbulos vermelhos, também conhecidos por hemácias ou eritrócitos, são o componente do sangue [1] que lhe dá a cor vermelha, devido à presença de hemoglobina na sua constituição. Possuem, na estrutura da sua membrana externa, os chamados antigénios, que definem o tipo, ou grupo sanguíneo, da pessoa. A função do glóbulo vermelho é o transporte do oxigénio do pulmão [2] para as células e de grande parte do dióxido de carbono das células para o pulmão [2].

É a presença de ferro na constituição da hemoglobina que permite o transporte de oxigénio, dado que o oxigénio apenas se liga aos átomos de ferro.

Os glóbulos vermelhos são formados na medula óssea, por um processo chamado eritropoiese, e são destruídos no baço, no fígado e na medula óssea, ao mesmo ritmo a que são produzidos, permitindo manter o nível sanguíneo equilibrado. Têm um tempo médio de vida de 120 dias e são aproximadamente 5,4 milhões por mililitro no homem e 4,8 milhões na mulher. Para se manter o equilíbrio, é necessário produzir dois milhões de novos glóbulos vermelhos por segundo. Como isto exige um grande esforço por parte do organismo, grande parte dos componentes são reciclados, para criar novos glóbulos e proteínas necessárias ao corpo. A parte não ferrosa é convertida em biliverdina, de cor esverdeada, e, posteriormente, em bilirrubina, de cor amarelada, que é libertada pela vesícula biliar no intestino. A bilirrubina é transformada, por bactérias, no intestino grosso e confere às fezes a coloração acastanhada característica.

A icterícia, conhecida como trízia, é uma acumulação de bilirrubina no corpo, que dá a coloração amarelada à parte branca do olho, às mucosas e a pele. Como o fígado do recém-nascido ainda não está em pleno funcionamento, pode aparecer icterícia, de forma mais ou menos acentuada, nos primeiros dias de vida, que resolve espontaneamente — ou, nos casos mais graves, com a exposição à luz ultravioleta, que transforma a bilirrubina e permite que esta seja eliminada pelo rim.

Se os glóbulos vermelhos se tornam incompetentes para o transporte do oxigénio, ou se, por qualquer razão, as concentrações do oxigénio do ar diminuem — por exemplo, pela altitude — pode surgir a hipoxia (falta de oxigénio no sangue e nas células). A pessoa em hipoxia prolongada desenvolve cianose, ou seja, uma coloração azul-arroxeada no corpo, mais evidente nas unhas e nas mucosas. Independente das causas desta hipoxia, o rim liberta eritropoietina, para estimular a produção de glóbulos vermelhos e, assim, tentar aumentar o transporte de oxigénio. A eritropoietina é famosa, por ser utilizada para dopagem, na alta competição.

A anemia é a doença que afecta o glóbulo vermelho mais comum. Existem vários tipos de anemias, mas todas se caracterizam pela diminuição da quantidade de oxigénio transportado para as células. A anemia ferropénica deve-se a uma escassa disponibilidade de ferro, quer seja por carência alimentar, quer seja por problemas de absorção ou por perdas; pode também haver anemias carenciais por falta de ácido fólico, ou de vitamina B12. Outras anemias têm a ver com a forma dos próprios glóbulos, que os torna incompetentes para a função que deviam desempenhar; outras estão associadas a uma destruição excessiva de glóbulos vermelhos no fígado e baço. As anemias exigem uma identificação clara da sua causa, para poderem ser tratadas de forma adequada, por si e pelo seu técnico de saúde.

Para um indivíduo sem problemas, basta uma alimentação equilibrada, que forneça uma quantidade adequada de ferro, de proteínas, de ácido fólico e de vitamina B12, para manter os seus valores de hemoglobina dentro dos valores normais.

Saúde!