Por Gustavo Martins-Coelho [a]

Cinco anos depois da liberalização do mercado da electricidade em França, este continua dominado pelas duas grandes operadoras: Electricité de France (EDF) e Gaz de France (GDF); e os preços continuam a subir como antes. No final de 2012, a EDF dominava 93,8% do mercado doméstico da electricidade; e a GDF detinha 90,4% do sector do gás. Enquanto isso, a factura da electricidade subiu 8% em dois anos, e a do gás uns exorbitantes 25%.

Os consumidores não se encontram informados: a vasta maioria não sabe que existe mais do que um fornecedor de electricidade ou de gás. Para além disso, mudar de fornecedor não compensa, realmente. A variação no preço entre os diversos fornecedores não excede os 4%, para um consumo típico de electricidade. No caso do gás, a diferença pode ir de 9% a 12%.

Esta pequena variação explica-se, no mercado eléctrico, pelo elevado investimento que os novos operadores têm de fazer em centrais eléctricas, investimento esse que já se encontra amortizado, no caso da EDF, baixando o custo de produção. Por outro lado, a EDF é também fornecedora dos seus concorrentes. No caso do gás, ainda assim, dado que tanto a GDF como os restantes operadores se abastecem no mercado internacional, a situação é um pouco melhor.

Mas, para complicar ainda mais a situação, entre impostos e custos de produção e distribuição, as margens onde pode fazer-se a concorrência representam 5% da factura da electricidade. O futuro não se anuncia, pois, risonho: só uma concorrência artificial poderia lançar o mercado a curto prazo.


Nota:

a: O artigo original pode ser lido no Le Monde [1].