Por Carlos Lima

As plaquetas, ou trombócitos, são células em forma de disco, que não possuem núcleo; estão presentes no sangue [1], que é formado na medula óssea. A sua principal função é participar no processo de coagulação sanguínea, através da formação do coágulo.

Uma pessoa normal tem entre 150.000 e 400.000 plaquetas por microlitro de sangue. O tempo médio de vida das plaquetas é de cinco a nove dias e a sua destruição ocorre no baço [2].

A diminuição ou a disfunção das plaquetas podem levar ao risco de hemorragia, ou sangramento; inversamente, o seu aumento potencia a formação espontânea de coágulos, que naturalmente se associa ao risco de trombose.

A coagulação sanguínea é um processo complexo, que envolve três mecanismos: vasoconstrição, ou aperto do vaso sangrante; formação do tampão plaquetar, que é a parte onde as plaquetas intervêm mais activamente; e, por último, formação do coágulo, que envolve a participação dos treze factores de coagulação.

No contexto deste programa, vamos falar do papel das plaquetas. Quando as plaquetas entram em contacto com as paredes dum vaso sanguíneo danificado e sangrante (artéria ou veia), a sua forma de disco começa por se modificar, o seu tamanho aumenta e a sua estrutura torna-se irregular, criando pequenas extensões, ou pseudópodes (uma espécie de «braços»), que interagem entre si. Tornam-se «pegajosas» e começam a aderir às paredes do vaso afectado, através das fibras de colagénio. As fibras de colagénio criam uma rede, como uma teia de aranha, que permite que mais e mais plaquetas se juntem e formem o tampão plaquetar. Este tampão plaquetar é relativamente frágil no início, mas, à medida que o tempo vai passando, vai sendo reforçado por fibras de fibrina, produzidas no processo de coagulação. Por sua vez, as plaquetas tendem a voltar ao seu tamanho normal, o que faz encolher o coágulo e, com ele, as paredes do vaso, aumentando significativamente a resistência ao sangramento. Enquanto o coágulo vai sendo formado, as plaquetas vão libertando substâncias químicas, que vão estimular a produção de factores de coagulação e chamar mais plaquetas ao local da hemorragia.

O tampão plaquetar é muito eficaz nos pequenos vasos, mas sem capacidade efectiva para os grandes vasos; nestes, é preciso compressão directa ou utilização de garrote, caso sejam acessíveis, e ajuda técnica para laqueação do vaso.

A trombocitopenia é a diminuição do número de plaquetas no sangue, que conduz, naturalmente, ao aumento do risco de hemorragia. Pode dever-se a três factores: diminuição da produção de plaquetas na medula óssea, produção de plaquetas incompetentes ou defeituosas e destruição ou gasto excessivo de plaquetas, como por exemplo, nas grandes hemorragias.

A trombocitose é o aumento do número de plaquetas no sangue. Isto gera o risco aumentado de formação de coágulos ou trombos, que, dependendo do tamanho e do vaso onde se formam, podem criar situações graves de trombose, com sério risco de vida; é disso exemplo a embolia pulmonar, em que um trombo obstrui uma das artérias pulmonares.

Os alimentos ricos em vitaminas e ferro são importantes para manter o nível das suas plaquetas; o ideal é manter uma alimentação variada e equilibrada.

Saúde!