Por Gustavo Martins-Coelho

Ontem foi o Dia Internacional para a Redução das Catástrofes [1]. Este Dia já existe desde 1989, mas foi em 2009 que passou a ser oficialmente celebrado a 13 de Outubro. O Dia Internacional para a Redução das Catástrofes tem como objectivos chamar a atenção para a importância de prevenir as consequências das catástrofes naturais e envolver os Estados e os cidadãos na construção de comunidades mais apetrechadas para lidar com as situações de catástrofe [2]. Em cada ano, o Dia Internacional para a Redução das Catástrofes tem um tema [3]; este ano, o tema era: «A resiliência é para a vida» — pretendendo chamar a atenção, por um lado, para o papel que os mais velhos, pela sua experiência, podem ter na compreensão dos riscos de catástrofe e na planificação da melhor forma de lidar com eles, e, por outro lado, para as necessidades especiais que os mais velhos podem vir a ter em situação de catástrofe.

A Autoridade Nacional de Protecção Civil [4] decidiu associar ao Dia Internacional para a Redução das Catástrofes a sua iniciativa «A Terra treme» [5], que já acontecera no ano passado e consiste num exercício público de preparação para o risco sísmico, ou seja, o risco de haver um terramoto. Sucintamente, o exercício consiste no seguinte: no dia 13 de Outubro, às 10h13 (repare-se na simetria perfeita: 10h13 de 13/10), todos, onde quer que estivessem, foram convidados a fazer três coisas: primeiro, baixar-se; depois, proteger-se; e, finalmente, aguardar. A importância de se baixar é impedir que seja o tremor da terra a fazê-lo baixar-se involuntariamente, isto é, impedir que seja derrubado ou atirado para o chão. Proteger-se significa procurar refúgio debaixo duma mesa sólida, ou doutra estrutura semelhante, nomeadamente, na falta duma mesa, o lintel duma porta. Deste modo, evita-se ser atingido pela queda de objectos. Por último, aguardar — que o mundo pare de tremer!

Mas não é só durante o sismo que se pode minimizar o risco. Na verdade, há um conjunto de sete passos preconizados pelos especialistas no tema, a realizar antes, durante e após um sismo, com o objectivo de estar melhor preparado e protegido em caso de sismo e de minimizar a probabilidade de ficar ferido ou de morrer. Hoje mesmo, podemos e devemos identificar e corrigir os riscos em casa: por exemplo, afastar as estantes e outros móveis altos e pesados das camas, dos sofás e dos locais onde as pessoas dormem, se sentam, ou passam muito tempo; e colocar os objectos mais pesados nas prateleiras mais baixas. O segundo passo é elaborar o plano de emergência familiar: este plano deve incluir três pontos-chave: como agir durante um terramoto; o que fazer depois e como retomar a normalidade; e como comunicar com os restantes membros da família. Em terceiro lugar, é importante preparar uma caixa de emergência, capaz de assegurar, no mínimo, comida, água e lanternas a pilhas para três dias. O quarto passo consiste em minimizar o risco económico: guardar cópias dos documentos importantes num saco «pronto a levar», para o caso de ser necessário abandonar o local imediatamente; identificar os pontos fracos do edifício, seja da casa, seja do trabalho, e corrigi-los; e, eventualmente, obter um seguro de habitação que cubra catástrofes naturais. O quinto passo — já falámos dele: são os três gestos: baixar-se, proteger-se e aguardar. Depois do terramoto, há mais dois passos: o sexto passo, portanto, é cuidar de si, preparando-se para evacuar, se necessário; auxiliar os feridos; e prevenir lesões subsequentes, quer em si, quer nos mais próximos; e o sétimo passo é procurar as indicações das autoridades e proceder conforme as instruções que sejam dadas.

Uma coisa é certa: se, em 1755, já se soubessem estes sete passos e os três gestos que protegem, certamente o Carmo e a Trindade teriam caído na mesma, mas provavelmente ter-se-iam poupado uns milhares de vidas.