Por Gustavo Martins-Coelho (com RA)

Gustavo: Ontem foi o Dia Mundial da Osteoporose [1]. A osteoporose é uma doença que aumenta muito o risco de fracturas ósseas. Hoje tenho comigo a Renata Aguiar, que é médica interna de Reumatologia no Centro Hospitalar do Baixo Vouga [2], em Aveiro, para me ajudar a falar de osteoporose. Renata, tu podes explicar muito melhor do que eu o que é a osteoporose…

Renata: A osteoporose caracteriza-se por uma alteração do osso, que leva não só à diminuição da sua densidade, mas também a mudanças na sua arquitectura. Estas alterações levam a maior fragilidade do osso; que tem como consequência, como disseste, o aumento do risco de fracturas. Além disso, não estamos a falar de fracturas vulgares, mas de fracturas que podem acontecer após pequenos traumatismos, como, por exemplo, quedas da própria altura, elevação de pesos, etc.; em casos graves, um espirro pode ser suficiente para causar uma fractura duma vértebra.

Gustavo: E por que é que acontece essa alteração da estrutura do osso?

Renata: O osso está constantemente a formar-se e a ser reabsorvido. O pico da massa óssea é alcançado entre os vinte e os trinta anos; normalmente, os homens atingem uma massa óssea superior à das mulheres. A partir dessa altura, em que o pico é atingido, há um declínio progressivo da massa óssea em ambos os sexos, mas que se intensifica nas mulheres após a menopausa, porque perdem o efeito protector dos estrogénios. É por isso que a prevalência da osteoporose aumenta com a idade e é maior nas mulheres depois da menopausa e menor nos homens.

Gustavo: Tu disseste que a osteoporose aumenta o risco de fracturas. Mas há locais onde esse risco seja maior?

Renata: Sim. Os locais onde as fracturas osteoporóticas são mais frequentes são: a anca, as vértebras torácicas e lombares, e o punho. As fracturas da anca são as mais graves, pois cerca de um terço dos doentes deixa de conseguir fazer as suas actividades autonomamente e um quarto acaba por morrer dentro dum ano após a fractura. Ora vê: a Fundação Internacional para a Osteoporose [3] estima que, a nível mundial, uma em cada três mulheres e um em cada cinco homens com mais de cinquenta anos virão a sofrer uma fractura osteoporótica; e que, algures no mundo, a cada três segundos, um osso parte devido à osteoporose.

Gustavo: E em Portugal?

Renata: Em Portugal, a osteoporose afecta cerca de 800 mil pessoas e os custos relacionados com as fracturas são superiores a 500 milhões de euros por ano!

Gustavo: Então, e como evitar as fracturas?

Renata: Ora aí está! A osteoporose não dá sintomas, até ao dia em que há uma fractura; por isso, é vital apostar num diagnóstico atempado. O diagnóstico pode ser feito através da realização da densitometria óssea. A Direção-Geral da Saúde [4] recomenda que todas as mulheres com mais de 65 anos e todos os homens com mais de setenta façam uma densitometria — ou mais cedo, se tiverem factores de risco.

Gustavo: Como sabem se têm factores de risco?

Renata: Os factores de risco para a osteoporose são: o tabagismo; o consumo excessivo de álcool e de cafeína; o baixo consumo de cálcio; a terapia prolongada com corticóides; o baixo peso; a imobilização prolongada; a história familiar de fractura da anca; e ainda algumas doenças, como a artrite reumatóide, ou doenças da tiróide e da paratiróide.

Gustavo: Já falámos do diagnóstico; agora fala-me do tratamento.

Renata: O tratamento para a osteoporose está indicado nas pessoas com alto risco de fractura. Além disso, é também importante prevenir as quedas.

Gustavo: Como?

Renata: Através da actividade física, que mantém a força e o equilíbrio; em casa, retirando os tapetes do chão, iluminando bem as divisões e aplicando barras de apoio em locais estratégicos, como a banheira; também deve corrigir-se as alterações da visão; calçar sapatos estáveis; manter uma alimentação saudável; e evitar os medicamentos que possam prejudicar o equilíbrio.

Mas a prevenção é, também no caso da osteoporose, o melhor remédio: a prática regular de exercício físico, uma alimentação rica em cálcio e vitamina D, deixar de fumar e beber moderadamente bebidas alcoólicas são cuidados que devemos tomar desde jovens, para os nossos ossos permanecerem saudáveis.

Gustavo: Obrigado, Renata, pela tua companhia.

Renata: Foi um prazer.