Por Gustavo Martins-Coelho

Nas duas últimas semanas, temos falado de obesidade [1]. Espero ter conseguido deixar claro, por esta altura, que, se, por um lado, é verdade que o ar não engorda, também é um facto que não somos inteiramente livres:

  • Dizer que o ar não engorda significa que são as nossas opções individuais, em termos alimentares e de estilo de vida, que nos fazem ganhar, perder ou manter o peso;

  • E não somos inteiramente livres, porque as nossas escolhas individuais, quer em termos de alimentação, quer em termos de exercício físico, são condicionadas pelo ambiente em que estamos inseridos e pelos genes que os nossos pais nos deram.

Então, para acabar de vez com a obesidade — ou, pelo menos, para encerrar a discussão do tópico neste espaço [2] —, quero hoje fazer algumas considerações, a respeito do que podemos fazer individualmente (pois que, do que podemos fazer colectivamente, já falei na semana passada) para combater a obesidade.

Comer melhor

Podemos e devemos comer melhor (mas, atenção, quantidade não é sinónimo de qualidade!):

  • Reduzir o consumo de gorduras e, mesmo dentro das gorduras, preferir as gorduras insaturadas às saturadas;

  • Aumentar o consumo de frutas e vegetais, legumes, cereais integrais e frutos secos;

  • Limitar o consumo de açúcares [3];

  • Diminuir o consumo de sal e preferir o sal iodado.

Aumentar a actividade física

Por actividade física, entende-se não só o exercício, mas outros tipos de actividades que envolvam uma utilização considerável do aparelho locomotor [4, 5]. Para as crianças e os jovens, isto pode envolver as brincadeiras, os jogos, os desportos, as deslocações, o recreio, a Educação Física e o exercício físico, em contexto familiar, escolar, ou na comunidade. Para os adultos e os mais velhos, o conceito de actividade física engloba o movimento como actividade de recreio ou de lazer, as deslocações (a caminhar ou de bicicleta), o trabalho, a lida doméstica, os jogos e os desportos, seja em contexto profissional, familiar ou na comunidade.

A Organização Mundial da Saúde [6] elaborou as seguintes recomendações [7], quanto aos níveis de actividade física a manter, para cada faixa etária:

  • Crianças e jovens — sessenta minutos diários de actividade física moderada a vigorosa, de predomínio aeróbico, com exercícios de força muscular três vezes por semana;

  • Adultos — 150 minutos por semana de actividade física aeróbica moderada, ou 75 minutos por semana de actividade física aeróbica intensa, em blocos de, pelo menos, dez minutos, com exercícios de força muscular duas vezes por semana, no mínimo.

Termino, pois, com dois alertas: o primeiro é que as dietas milagrosas das revistas não funcionam e, nalguns casos, podem mesmo colocar a saúde de quem as experimenta em risco; e o segundo é que os produtos para emagrecer da televisão são igualmente inúteis — os únicos que realmente têm demonstrado funcionar (apesar de serem menos eficazes do que algo tão simples como comer bem e ser fisicamente activo) são sujeitos a receita médica e vendem-se na farmácia.