Por Carlos Lima

Após a ingestão dos alimentos, existe um conjunto de reacções que decompõem as moléculas mais complexas em moléculas mais simples, para poderem passar por um conjunto de barreiras, até chegarem às células [1]. Passadas essas barreiras, os nutrientes [2] sofrem novas transformações, para fornecer energia ao corpo e para a produção de novas moléculas, utilizadas na construção das estruturas corporais, tais como ossos [3], músculos [4], etc.

Podemos, por isso, dizer que o metabolismo é, na sua essência, a produção e o armazenamento de energia e o equilíbrio corporal entre a ingestão de alimentos e as necessidades do organismo.

As enzimas [5], as hormonas [6], os minerais [7] e as vitaminas desempenham um papel fundamental em todo o processo, pois são elas que promovem e desencadeiam essas reacções químicas.

Existem dois tipos de reacções envolvidos no metabolismo: a oxidação e a redução. A oxidação remove átomos de hidrogénio duma molécula, libertando energia, enquanto a redução consiste em acrescentar átomos de hidrogénio às moléculas, estando relacionada com a síntese de novas moléculas, que entram na produção de proteínas (por exemplo). Estes dois processos estão sempre associados, ou seja, não ocorrem um sem o outro — daí ser chamado o processo de oxidação-redução.

A ingestão de alimentos é intermitente, ou seja, não estamos sempre a comer; no entanto, o metabolismo corporal está sempre activo, porque gastamos energia e regeneramos o corpo constantemente, mesmo em repouso. Este gasto energético em repouso é chamado metabolismo basal e refere-se ao gasto mínimo de energia corporal; tem muito poucas variações na própria pessoa, mas está relacionada com o peso, a idade e o sexo. As doenças, a febre, o clima e o estresse aumentam este metabolismo basal e exigem reajustamentos corporais durante o repouso. Dois terços da energia de que necessitamos são consumidos pelos processos metabólicos basais.

As necessidades metabólicas podem levar ao aumento da ingestão de alimentos. O exercício físico, por exemplo, exige gastos energéticos que vão além do metabolismo basal e significam aumentos da necessidade de reposição através dos reforços alimentares.

O metabolismo dos hidratos de carbono (açúcares) [8] é o principal fornecedor de energia, seguido do metabolismo dos lípidos (gorduras), enquanto o metabolismo das proteínas [5] visa essencialmente a produção de novas proteínas.

Existem factores associadas ao metabolismo que, no seu conjunto, podem ser classificados de síndrome metabólica, porque aumentam o risco da pessoa vir a sofrer de doença cardiovascular. Esses factores sã: a idade; a obesidade; a presença de valores sanguíneos aumentados de açúcar, de colesterol e de triglicerídeos; a hipertensão arterial e os hábitos de vida. Algumas doenças hormonais, principalmente as relacionadas com a tiróide [9], fazem alterar o metabolismo.

Dado que, como disse, o metabolismo é, essencialmente, o equilíbrio entre os alimentos que comemos (nutrientes) e as necessidades energéticas corporais, quando a ingestão é superior aos gastos, os excessos ou são eliminados pelo fígado [10], pelo rim [11], pelo suor, pela respiração e pelas fezes, ou se acumulam [12]. Esta acumulação é feita, regra geral, sob a forma de gordura, para mais tarde ser utilizada. Os nossos hábitos de vida e a facilidade que hoje temos em ter alimentos disponíveis, faz com que esta acumulação de gordura permanente (obesidade) seja um problema premente de saúde pública.

Dito isto, nada melhor do que uma alimentação equilibrada e variada [13, 14].

Saúde!