Por Gustavo Martins-Coelho (com TO)

Ainda Sábado, 30 de Julho de 2005. Chartres auto-intitula-se: «a capital da luz e do perfume». Quanto ao perfume, é discutível, até porque, segundo o Guê, a verdadeira capital do perfume é Grasse (é lá que é produzido, na totalidade, o famoso «Chanel n.º 5» [1]). Quanto à luz, contudo, não há dúvida de que nenhuma outra cidade sabe usá-la como Chartres. Qual não foi o nosso espanto, chegados à praça em frente à Catedral, ao vermos projectado nesta um puzzle luminoso: esculturas, vitrais e paredes lisas iam surgindo, um após outro, ao som de música sacra. O espectáculo culminava com uma projecção dum fragmento de vitral, representando Nossa Senhora entronada e o Menino Jesus. Simplesmente fantástico! Porém, se pensávamos que as surpresas tinham acabado, desenganámo-nos quando contornámos a Catedral. A entrada lateral esquerda foi — literalmente — pintada de luz. As estátuas dos santos, as colunas, as paredes — até as pedras da escadaria — reluziam a cores garridas e perfeitamente desenhadas sobre a pedra.

Domingo, 31 de Julho de 2005. Iniciámos o nosso périplo pela cidade, tendo começado por visitar o interior da Catedral, depois de reencontrarmos o seu exterior despido de luzes. Ainda assim, não era a falta dessa luz exterior que a fazia perder o seu encanto, pois a luz do interior, coada pelos vitrais mundialmente famosos, era também deslumbrante. Além disso, outro ponto de interesse era a representação da vida de Maria e de Jesus, esculpida em pedra à volta do altar.

Saindo da Catedral, passámos em frente ao Museu de Belas-Artes, descemos uma data de escadas e chegámos à Igreja de S.to André, que estava fechada. Procurámos a Capela St. Émain, mas não a encontrámos. Prosseguindo a odisseia das igrejas fechadas, por ruas e ruelas descobrimos as características casas da cidade. Finalmente, a Igreja de S. Pedro estava também fechada. Com os narizes a doer de tanto bater em portas de igreja fechadas, partimos para Paris.