Por Gustavo Martins-Coelho

Ao frio, juntou-se a chuva! Não gosto de chuva. Dêem-me neve, granizo, até as pragas do Egipto, mas chuva é que não! Ou então, que chova só no nabal e que me brilhe o sol na eira!

Na semana passada, começámos a falar do frio invernoso [1]. Hoje, veremos como prevenir as duas consequências mais graves do frio e das vagas de frio: a hipotermia e as queimaduras pelo frio. Mas, antes, abro só um parêntesis, para lembrar que as vagas de frio não são só uma agressão ao corpo humano: as escolas encerram, muitas actividades económicas ficam suspensas, ou, pelo menos, abrandam, e aumenta a pressão sobre a produção de energia, devido às necessidades acrescidas de aquecimento; paralelamente, as culturas agrícolas são afectadas, pois a seiva das plantas pode congelar — aquilo que é conhecido como geada negra; finalmente, é maior a probabilidade de formação de gelo nas estradas, aumentando o risco de acidentes de viação, que podem provocar lesões graves nas pessoas envolvidas.

Fechado que está o parêntesis, falemos então das medidas de protecção contra o frio. A primeira medida é evitar o frio, isto é, não saia de casa, a não ser que seja necessário e, quando o fizer, não fique durante muito tempo no exterior. Lembre-se também de que as diferenças de temperatura entre a rua e o interior desidratam a pele, podendo causar lesões dolorosas nos lábios, no rosto e nas mãos, particularmente se o interior estiver demasiadamente aquecido (o objectivo do aquecimento não é simular um clima tropical dentro de casa!). Vista várias camadas de roupa, em vez duma única peça muito quente. Evite as que fazem transpirar e as muito justas. Use luvas e cachecol e qualquer coisa que proteja a cabeça: um chapéu, um boné ou um gorro. Isto ajuda a manter as partes mais expostas do corpo protegidas, prevenindo as queimaduras pelo frio. Use o cachecol, ou outra peça de roupa adequada, também para proteger a boca e o nariz, impedindo a entrada de ar muito frio nos pulmões.

A segunda medida é evitar as quedas: tente não caminhar sobre gelo, ou neve, se for caso disso.

A terceira medida é procurar manter-se seco, pois o corpo arrefece mais rapidamente, se estiver molhado, ou exposto ao vento; daí que a temperatura pareça mais baixa em dias ventosos.

A quarta medida é poupar-se. Como eu já disse, o frio já é, em si, uma agressão ao organismo, que o obriga a um esforço suplementar e a consumir energia, para manter a temperatura corporal [2]. Portanto, evite praticar actividades físicas violentas, que aumentem ainda mais a pressão metabólica do organismo.

Deve também tomar precauções especiais em viagem, nomeadamente conduzir com especial cuidado em zonas sombrias, onde é mais provável a acumulação de gelo na estrada, reduzir a velocidade, em geral, e colocar líquido anti-congelante no radiador do seu carro.

Para quem quiser saber mais sobre o assunto, a página da Protecção Civil complementa estas informações [3].