Por Hugo Pinto de Abreu

Quem acompanha estas crónicas há algum tempo já terá notado que é normalmente com amargura que falo do modo como a Economia e os economistas habitualmente aparecem nos meios de comunicação social. Em suma, eu gostaria de viver num tempo em que o discurso económico não fosse o discurso dominante e em que os economistas não estivessem no centro de cada painel de discussão. Seria, possivelmente, sinal de que a Economia estaria melhor e de que haveria outros projectos que empolgassem mais os cidadãos. Gostaria de que se falasse mais de política, de ideologia, de cultura, de Engenharia, de transportes, de avanços na Medicina, doutras ciências, de exploração espacial, etc.

Esta relação estranha entre a Economia e a comunicação social voltou a exasperar-me esta semana, à conta da questão grega, e das discussões sobre a teoria dos jogos, área em que o ministro das finanças grego será especialista. Foi interessante ter artigos cheios da dinâmica amor–ódio, fascínio–repulsa, na qual se falava da teoria dos jogos sem, creio eu, compreender minimamente do que se trata.

O que é a teoria dos jogos? Seguindo a definição de Prajit Dutta [1], é um «método formal de analisar as interacções dum grupo de agentes racionais, que agem de forma estratégica» (p. 4). Convém explicar cada um dos termos: um grupo de agentes, dado que em cada jogo há vários agentes a tomar decisões; há interacção, pois a decisão dum afecta outro ou outros agentes; diz-se que é um jogo estratégico, pois a interdependência tem de ser tida em conta; e racional, pois se assume que cada agente escolhe a acção que lhe for mais proveitosa (vide pp. 4–5).

O exemplo mais paradigmático da teoria dos jogos é o chamado dilema do prisioneiro. De facto, embora a teoria dos jogos tenha um lugar importante na Economia, particularmente na microeconomia, tem aplicações noutros contextos. Em contextos económicos, bem como nos problemas do tipo «dilema do prisioneiro», a lição mais importante a reter parece-me a de que, por vezes, os incentivos são de tal ordem que a interacção acaba por produzir acções que são prejudiciais a ambos ou a todos os agentes em jogo, tal como no «dilema do prisioneiro»: dois cúmplices têm todo o interesse em que nenhum deles confesse o crime, mas podem ser facilmente levados a confessar, com medo de que o outro confesse. A menos que haja algum cataclismo, voltaremos ao assunto para a semana.