Por Carlos Lima

A nossa pele é a principal barreira de defesa do nosso corpo. Está em constante renovação, sendo as células mortas substituídas por células novas — mas é necessário um conjunto de microrganismos para ir removendo os restos que ficam e criar um ambiente propício à manutenção da pele saudável. A flora da pele [1] é o conjunto desses organismos, constituído essencialmente por bactérias, por fungos e por protozoários.

A flora da pele tem como principais funções proteger a pele, impedindo a colonização por microrganismos agressores; produzir vitaminas e antibióticos e facilitar a absorção dalguns nutrientes transformados na pele.

Existem dois tipos de flora saudável na pele: a flora residente e a flora temporária. Por flora residente, entende-se aquela que caracteriza um determinado indivíduo de determinada região do globo e em determinada região corporal e que o acompanha continuamente, a ponto de, quando há desequilíbrios, recuperar rapidamente com as mesmas características.

A flora temporária tem a ver com a contaminação a que a pele é exposta, devido ao facto de ser a nossa protecção externa, e tem um carácter temporário, de horas ou dias, mas que não causa dano na pele.

Os microrganismos da flora têm a capacidade de se fixar na pele e impedir a fixação doutros microrganismos, mas também existem microrganismos capazes de produzir antibióticos, que impedem o crescimento de microrganismos patogénicos e que, com esta capacidade, ajudam a proteger a nossa pele. São disso exemplo algumas estirpes de estafilococos.

Algumas bactérias estão associadas ao pêlo e às glândulas sudoríparas; outras estão por baixo das células mortas e agarradas às células novas. São essencialmente estas que fazem parte da flora residente. Existem em maior concentração nas zonas húmidas do corpo, como as axilas (debaixo dos braços) e o períneo (entre pernas).

É nas glândulas sudoríparas e sebáceas que a flora da pele encontra o seu alimento [2].

Apesar da flora da pele ser determinante para a qualidade desta, a ocorrência de desequilíbrios pode condicionar doença, ou permitir que outros agentes as causem. Por exemplo, os Staphylococcus aureus aparecem na nossa pele e não causam dano, mas, se penetrarem num poro ou numa glândula sebácea, desencadeiam o aparecimento de furúnculos e de espinhas. Quando existe uma ferida na pele, podem mesmo gerar infecções muito graves; e são um dos principais responsáveis pelas infecções das feridas cirúrgicas.

No dia-a-dia, existem dois cuidados fundamentais que devemos ter em relação à pele: a higiene e a hidratação. A higiene deve ser feita duas vezes ao dia, para remover as poeiras e os agentes químicos que se depositam no corpo e favorecer a remoção das células mortas. Deve ser feita com produtos tão neutros quanto possível, para evitar a degradação da flora.

Na hidratação, também se devem utilizar produtos que respeitem a flora da pele, mas não devemos esquecer que a principal forma de hidratar é de dentro para fora, ou seja, bebendo água. A exposição prolongada ao sol ajuda a matar a flora da pele, pela acção directa da radiação solar, e, como seca a pele, também desidrata as bactérias.

A nossa pele é a nossa identidade, reveste a parte externa do corpo, mas, apesar das suas propriedades fantásticas, necessita da ajuda dum conjunto de microrganismos, que a ajudem a cumprir a missão de protecção do corpo. Essa ajuda essencial é-nos oferecida pela flora da pele.

 Saúde!