Por Satoshi Kanazawa [a]

Nos dois últimos artigos [1, 2], eu expliquei por que as mães, em média, são mais dedicadas aos filhos e, portanto, cuidam melhor deles do que os pais. No entanto, isso não significa que as mães sejam sempre melhores do que os pais; há excepções. Mas, mesmo nesses casos, a psicologia evolutiva pode trazer luz sobre a excepção que confirma a regra.

Nada do que eu discuti nos últimos dois artigos significa que todas as mães sempre são boas mães, ou simplesmente melhores do que os pais. Às vezes, as mães negligenciam, ou mesmo matam, os seus bebés. No entanto, a lógica da psicologia evolutiva pode até explicar quem tem maior risco de matar os seus bebés; e porquê.

A estatística mostra que as mães muito jovens são, de longe, as mais propensas a matar os seus bebés; e que as mães mais velhas são as segundas mais propensas a fazê-lo, mas por razões diferentes. As mães muito jovens, adolescentes, matam os seus bebés, porque ainda têm a maior parte da sua vida reprodutiva pela frente, e podem ter mais bebés no futuro, depois de matarem o que acabaram de ter. Dar à luz em circunstâncias adversas (como seja sem um pai disposto a investir nele), não só ameaça o bem-estar do bebé, mas também prejudica a possibilidade da mãe encontrar um parceiro no futuro. E as mães adolescentes têm maior risco do que as restantes de ter um bebé em circunstâncias adversas.

As mães mais velhas (acima dos 35 anos) matam os seus bebés por um motivo diferente. Elas têm maior risco de ter bebés deficientes, por causa da idade. Qualquer criança (deficiente ou não) consome recursos dos pais. Dado que as crianças deficientes têm muito menos chances de alcançar o sucesso reprodutivo, do ponto de vista puramente genético, os recursos investidos em crianças que não terão os seus próprios filhos são recursos desperdiçados. Essas crianças retiram recursos valiosos doutras crianças, que têm melhores perspectivas reprodutivos. As mães mais velhas têm maior probabilidade do que as mais jovens de ter outros filhos para criar. Assim, as mães foram seleccionadas para não investirem em crianças deficientes.

Da mesma forma, os pais investem mais em crianças bonitas do que em crianças com uma aparência menos boa, e em crianças mais inteligentes do que em crianças menos inteligentes. Sem terem necessariamente disso consciência, os pais favorecem algumas crianças em detrimento doutras, e a medida em que o fazem está fortemente correlacionada com o seu provável sucesso reprodutivo futuro. Os pais, geralmente, favorecem as crianças que têm uma melhor perspectiva reprodutiva futura, em detrimento das crianças que têm uma perspectiva reprodutiva futura mais sombria. Por outras palavras, o Tommy Smothers está certo. A Mamã sempre gostou mais do Dick. De acordo com a biografia oficial dos Smothers Brothers [2], o Tommy teve três filhos — o Dick teve seis.

Sim, a lógica evolutiva é brutal, fria e sem coração: só se preocupa com a sobrevivência dos genes.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).