Por Hugo Pinto de Abreu

Nas últimas duas semanas, temos falado do resgate à Grécia [1]. Não do resgate à Grécia que hoje enche os noticiários, mas do regaste que o governo grego solicitou aos Estados Unidos da América em 1947. Esse pedido de regaste foi, após algum tempo, efectivamente aprovado; e estaria na génese do Plano Marshall.

Tentando promover a aceitação desse plano e explicando a sua importância, o então Presidente dos Estados Unidos da América, Harry Truman, fez um extraordinário discurso ao Congresso, reunido em sessão especial para esse evento. Foi esse discurso que temos vindo a analisar nas últimas duas semanas.

A nossa análise levou-nos a realçar a ênfase na esperança: de facto, no discurso de Truman, esse é o argumento mais fundamental, mais transcendente. Refere, porventura no momento mais fulcral do discurso, que, quando a esperança num futuro melhor morre, então está aberto o caminho para todo o tipo de totalitarismos. Assim, o objectivo dos Estados Unidos era manter a esperança viva.

Efectivamente, parece uma análise correcta. Desde o século XIX — talvez desde sempre, mas em particular desde Revolução Francesa e das Revoluções Liberais —, a ideia de progresso — a que alguns chamam até «mito do progresso» — é um dos fundamentos da nossa sociedade: a ideia de que o futuro será melhor, ou pode ser melhor, não necessariamente para nós, mas pelo menos para os nossos filhos e netos. Um progresso que pode não ser linear, mas, ainda que com altos e baixos, tenha uma tendência positiva, e que seja, de alguma forma, inevitável.

Quando isso não acontece — e a minha geração, tal como provavelmente a geração de qualquer dos leitores, foi educada para crer neste progresso —; quando as pessoas deixam de acreditar que os seus filhos, os seus netos, que elas mesmas tenham algum tipo de futuro; quando a expectativa é que se viva cada vez pior, de facto, isso tem impactos potencialmente devastadores na economia e na sociedade.

Numa última nota, gostaria de realçar uma campanha publicitária dum banco, que não irei nomear, uma campanha publicitária que representa uma certa retoma, uma ideia de voltar a contratar, da possibilidade de constituir família, concluindo que «o futuro está de volta». Parece-me uma mensagem positiva e adequada aos nossos tempos.