Por Jarrett Walker [a]

O cartógrafo (e artista) Daniel Huffman [2] está a desenhar sistemas fluviais como mapas do metropolitano [3]. Ele insiste que é apenas para se divertir, mas esses mapas tocam-me num ponto sensível.

A informação que recebi do Leigh Holcombe, apontando o de Huffman, veio mesmo a calhar, porque eu estava prestes a escrever um capítulo do livro sobre como a ramificação das linhas dissipa a frequência.

Realmente, esses mapas fantasiosos contêm um pouco de reminiscências dalguns mapas de transporte colectivo reais, não é verdade?

O mapa da Metlink da rede ferroviária de Melburne [4] tem coisas importantes em comum com o mapa duma bacia hidrográfica. Em primeiro lugar, ambos os sistemas são radiais, o que significa que todas as linhas convergem num único ponto (Nova Orleães para o Rio Mississippi, a circular da cidade para os comboios de Melburne). E, necessariamente, ambos os mapas estão cheios de ramificações.

2015032603Mas as ramificações reduzem sempre a frequência. O mapa de Melburne dá ma impressão superficial de que Lilydale, Boronia e Ringwood têm os três o mesmo tipo de serviço de transporte colectivo. Decerto, todos têm estações de comboio, mas a ramificação significa que Ringwood tem de ter um serviço mais frequente do que um ou outro ramo, que pode ser a diferença entre um serviço que pode ser usado de forma espontânea e um que requer que se construa a vida em torno dum horário.

2015032604É interessante especular como a política de transporte colectivo mudaria, se todos estivessem treinados para desconfiar sempre que vissem a figura ao lado, porque isso significa sempre uma de três coisas. Ou os pontos além do ponto de ramificação têm serviço menos frequente; ou um dos ramos funciona como um serviço de vaivém, o que requer um transbordo; ou, nalguns casos raros, o próprio comboio se divide, com algumas carruagens a prosseguirem por um ramo e algumas pelo outro. Geometricamente, tem de significar uma dessas três opções. E, antes do leitor decidir se o serviço é útil para si, ou se pronunciar sobre um projecto de transporte colectivo, cujo mapa tem esse aspecto, o leitor deve perguntar qual dessas opções corresponde à realidade.

Eu sempre fui a favor de estilos de mapa em que uma ramificação seja representada por uma linha grossa que se divide em duas mais finas, de forma que a largura das duas linhas estreitas somada iguale a largura da linha principal. Na minha apresentação «Um guia prático das disputas do transporte colectivo» [5], eu usei essa abordagem para esclarecer um dos possíveis padrões de ramificação da linha do aeroporto de do BART de São Francisco (embora este não seja o padrão actualmente em funcionamento).

Tudo isto porque, neste respeito, as linhas de transporte colectivo são realmente como rios. Assim como dois rios convergentes combinam o seu caudal, dois ramos de transporte colectivo convergentes combinam a sua frequência.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).