Por Gustavo Martins-Coelho (com TO)

A acabar Segunda-feira, 1 de Agosto de 2005. Quando descemos da Torre Eiffel, já era noite [1]. Os ponteiros do relógio alinharam-se, de forma a permitir-nos descer ao mesmo tempo que as luzes da Torre piscavam, assinalando as dez horas. O elevador descia, pois, imerso em pontos luminosos brancos que iam acendendo e apagando em nosso redor.

Já cá em baixo, a noite não ficou completa sem um saboroso crepe de chocolate, degustado, mais uma vez, debaixo do gigantesco monumento, em jeito de despedida. Subimos então à Praça Trocadéro, deitámos um último olhar à obra de Gustavo Eiffel e partimos para Chartres, onde, desta vez sem percalços [2], nos esperavam as nossas caminhas.

Terça-feira, 2 de Agosto de 2005. Os percalços que não tivemos no regresso à pousada da juventude aguardavam-nos na saída. Chegámos à estação de Chartres às 9h15, exactamente dois minutos depois do nosso comboio ter partido, pelo que fomos obrigados a esperar uma hora pelo seguinte.

Lá acabámos por partir, tendo finalmente partilhado a carruagem com uma criança sossegada, porquanto as viagens dos dois dias anteriores foram perturbadas pela presença de crianças irrequietas e de adultos, que supostamente deviam tomar conta delas, endiabrados. Vá lá, que nem tudo foi mau!

Na última manhã em Paris, o único destino da nossa jornada foi a Basílica de S. Dinis, que serviu de inspiração para muitas outras igrejas góticas em França. Além de albergar os túmulos de muitos reis de França (mas só os túmulos, porque os corpos propriamente ditos foram exumados e deitados em valas comuns durante a Revolução Francesa — tudo a bem da igualdade), possui um fantástico conjunto de vitrais, tão ao gosto da arte gótica.

Como nós não gostamos de fazer as coisas pela metade, não nos sentimos satisfeitos em ter perdido só um comboio, pelo que deixámos escapar aquele que nos transportaria até Amiens. O seguinte partiria quase duas horas depois, pelo que decidimos almoçar na estação e esperar. Mal sabíamos nós que a espera ia ser longa. De facto, os contratempos ainda não tinham acabado: o comboio que iríamos apanhar, depois de termos perdido o primeiro, teve um acidente antes de chegar à nossa estação, pelo que não tivemos outra hipótese senão esperar mais uma hora e meia para, finalmente, podermos retomar viagem com destino a Amiens.