Por Satoshi Kanazawa [a]

No meu último artigo [2], sugeri que os bebés talvez nasçam mais parecidos com o pai do que com a mãe, embora os dados experimentais sejam até agora inconclusivos. Mas há, no entanto, um achado relacionado que é muito menos controverso e está bem replicado, que é a questão de com quem dizemos que se parece o bebé.

A Natureza pode ou não ajudar a garantir aos pais a sua paternidade, fazendo os bebés parecer-se com eles, mas os amigos e os familiares — em particular, as mães e a sua família — certamente o fazem. Em três estudos independentes, realizados em três países da América do Norte diferentes (Canadá, México e Estados Unidos), em três décadas diferentes, as mães e os parentes maternos são muito mais propensos a alegar a semelhança paterna do bebé do que a sua semelhança materna. As mães e os parentes maternos do bebé dizem espontaneamente coisas como: «oh! o bebê tem os olhos do pai!», ou: «é muito parecido com o pai!» Isso acontece mesmo quando os bebês recém-nascidos, de facto, não se parecem com os pais. Tal alegação de semelhança paterna assegura aos pais a sua paternidade, independentemente dos bebés realmente se parecerem com eles ou não.

Além disso, na maioria das sociedades, os bebés recebem o apelido do pai e não da mãe, assim sugerindo ao pai, mais uma vez, que ele é o pai do bebé [b]. Isto é verdade, mesmo em sociedades onde as mulheres mantêm habitualmente o seu próprio apelido, quando se casam, e não adoptam o nome do marido. Os filhos desses pais, no entanto, geralmente recebem o último nome do pai e não da mãe. Nos dias de hoje, muitas mulheres ocidentais com carreiras profissionais mantêm frequentemente o seu apelido quando casam. A maioria dos seus filhos ainda recebem os apelidos do pai e não a mãe. Ao dar aos filhos o apelido do pai, estas mulheres estão, essencialmente (ainda que inconscientemente), a dizer: «querido, ele é teu» — mesmo, ou principalmente, quando não é. As mães têm de assegurar aos seus maridos a sua paternidade, mas não a si mesmas, pois sabem-na com certeza. Filhos de minha filha meus netos são; os de minha nora serão ou não. E, para 10–30 % dos pais, não são.


Nota:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

b: Os Russos vão um passo além e dão aos bebés o segundo nome e o apelido do pai. (n. do A.).