Por Satoshi Kanazawa [a]

No meu último artigo [2], expliquei como a lógica psicológica evolutiva pode explicar por que os homens, em sociedades poligâmicas, são compelidos a cometer crimes violentos, tais como homicídio, agressão e violação [b]. Mas como pode a psicologia evolutiva explicar os crimes contra o património?

Podemos estender aos crimes contra o património a mesma lógica evolutiva da concorrência sexual masculina no contexto da poligamia e duma maior variação da vantagem adaptativa masculina. Se as mulheres preferem acasalar com os homens com mais recursos, então os homens podem aumentar as suas perspectivas reprodutivas através da aquisição de recursos materiais. Nas sociedades tradicionais, no entanto, os recursos tendem a concentrar-se nas mãos de homens mais velhos; os homens mais novos são muitas vezes excluídos do obtê-los através de meios legítimos e têm, portanto, de recorrer a meios ilegítimos para adquiri-los. Um método para isso é apropriar-se dos recursos alheios, roubando-os. Assim, o mesmo mecanismo psicológico que motiva crimes violentos de homicídio, agressão e violação pode também motivar crimes contra o património, como roubo e furto.

A minha sugestão de que os homens roubam a fim de atrair mulheres pode, à primeira vista, parecer estranha, uma vez que o roubo e outras formas de extorsão de recursos são universalmente condenados nas sociedades humanas; de facto, tal condenação é outro universal cultural. É bastante provável, porém, que o mecanismo psicológico que motiva os jovens do sexo masculino a cometer crimes violentos e contra o património tenha evoluído nos nossos antepassados ​​na história evolutiva antes da divisão entre símios e humanos (5–8 milhões de anos atrás), até mesmo antes da divisão entre macaco e símios (15–20 milhões de anos atrás). De facto, o meu raciocínio exige logicamente que os mecanismos psicológicos cruciais tenham surgido antes das normas informais contra a violência e roubo; caso contrário, a concorrência violenta e acumulação de recursos através do roubo não conduziria a um maior estatuto e a sucesso reprodutivo para os homens, porque estes seriam ostracizados, por violarem as normas (a não ser, claro, que o acto criminoso passasse totalmente despercebido). Eu acredito que as normas contra a violência e o roubo tenham evoluído em resposta aos mecanismos psicológicos que conduziram os homens jovens a envolver-se em actos de violência e roubo. O facto dos actos violentos e predatórios que os seres humanos classificam como criminosos serem bastante comuns entre as espécies não humanas que não têm normas informais contra tais actos aumenta a minha confiança nesta sugestão. Sim, os membros doutras espécies também se envolvem em assassinatos, violações, assaltos e roubos.

Estas são algumas das razões pelas quais os homens são mais violentos e criminosos do que as mulheres em todas as sociedades humanas. O crime e a violência compensam, em termos reprodutivos, por permitirem aos homens eliminarem ou intimidarem os seus adversários e acumularem recursos para atrair parceiras, quando não têm meios legítimos de adquirir tais recursos. Mas este é apenas um lado da moeda. E as mulheres? Dado o que eu disse nos últimos dois artigos, por que cometeria qualquer mulher um crime, de todo? Vou discutir a criminalidade feminina no meu próximo artigo.


Notas:

a: Este artigo foi traduzido do original [1] pelo editor chefe (n. do T.).

b: Lembro também que todas as sociedades humanas são polígamas [3], em graus diversos, seja simultaneamente ou em série.