Por Gustavo Martins-Coelho (com TO)

Tarde de Quarta-feira, 3 de Agosto de 2005. Voltemos ao que interessa, pois lá diz o ditado que, de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento — apenas turistas [1]. Bruges brindou-nos, pela primeira vez durante a viagem, com chuva. É certo que já ameaçara em Paris [2], mas chuva mesmo digna desse nome, daquela que incomoda — só em Bruges. Ao entrar na Igreja de Nossa Senhora de Bruges, ainda conseguimos escapar aos primeiros chuviscos da tarde. À saída, encontrámos, mesmo em frente à torre, de 122 metros, da igreja, o Hospital de S. João, transformado em museu, o que deixou o Guê muito satisfeito.

Porém, a chuva voltou e nós abrigámo-nos no posto de turismo, onde aproveitámos para procurar mapas, pedir informações e usar a Internet. Após termos completado estas três tarefas, ainda não tinha parado de chover, mas abrandara a sua intensidade. Diante desta difícil situação, pensámos entre nós, pedimos opinião aos nossos botões, ganhámos coragem e aventurámo-nos debaixo da morrinha.

Chegados à Praça Markt, decidimos que, pelo andar da carruagem (embora estivéssemos fora do comboio), iríamos ficar ensopados, de modo que decidimos estar na hora de envergar as nossas protecções para a chuva. Foi então que o Guê estreou o seu impermeável amarelo e foi também aí, sob a Torre do Campanário, que todos os pressupostos da Lei de Murphy se concretizaram: já tínhamos perdido tempo à espera de que parasse de chover, já nos tínhamos molhado debaixo da chuva e já tínhamos tido o trabalho de abrir a mala para tirar as protecções para a chuva. Inevitavelmente, estes três factores conjugados fizeram com que parasse de chover. Menos mal, apesar de tudo.

O passeio continuou, a seco, pelo Mercado Coberto, pelo Palácio Provincial e por uma nova paragem no Burgo. Este é uma praça rodeada por quatro edifícios importantes: a Basílica do Santo Sangue, a Câmara Municipal, o antigo Palácio da Justiça e o Paço Episcopal, todos muito bonitos e característicos. Havia ainda um quinto edifício que o Tê disse ser piroso, mas que ao Guê até agradou bastante. Gostos não se discutem!