Por Carlos Lima

O sistema nervoso é determinante para a gestão do equilíbrio corporal, quer pela percepção do meio exterior, quer pelo controlo que exerce no meio interno. Para que tudo funcione, tem uma unidade base fundamental — a célula nervosa, ou neurónio [1].

Os neurónios têm como grande função a transmissão dos impulsos nervosos dum lado para o outro, funcionando em rede e remetendo os impulsos para os endereços correctos. Simplificando, podemos dizer que o sistema nervoso é uma rede de neurónios que funcionam de forma muito idêntica à rede telefónica; para isso, contribui largamente a própria estrutura do neurónio.

O neurónio é constituído por três partes: o corpo celular, o axónio [2] e os dendritos.

O corpo celular é idêntico ao das restantes células do corpo (núcleo, organelos, etc.), com a excepção do aparelho mitótico, que permite às células regenerarem-se e multiplicarem-se, pelo que os neurónios têm mais dificuldade na sua regeneração do que as outras células, quando são lesadas.

O axónio é uma extensão da célula nervosa e tem como principal função transmitir o impulso nervoso a outras células nervosas, ou às células dos restantes tecidos corporais. O seu comprimento varia muito, dependendo do local do corpo, podendo ser dalguns milímetros no cérebro e de mais dum metro ao longo da medula espinhal e entre esta e o pé. Se o axónio é revestido por mielina, apresenta uma maior velocidade de condução, pois a mielina apresenta-se como o isolamento do axónio. Existem também alguns axónios que não são revestidos de mielina, o que os torna mais lentos e menos fiáveis quanto à origem do impulso. O axónio termina num conjunto de ramificações — ou telodendritos —, que permitem ligações a várias células ao mesmo tempo, podendo essas células ser outros neurónios. Cada ponta dos telodendritos termina no botão sináptico ou botão terminal. Este botão sináptico tem os neurotransmissores, que permitem passar a mensagem ao neurónio seguinte ou às outras estruturas.

Os dendritos são estruturas menos alongadas que o axónio, mas são da mesma natureza e destinam-se a captar o impulso nervoso vindo doutras estruturas ou doutros neurónios e conduzi-los para a parte principal do neurónio, ou corpo celular. Tal como os telodendritos, existem em número variado e cada dendrito tem diversas ramificações, como uma árvore, o que lhes permite captar impulsos de diversas origens.

O impulso nervoso é conduzido no sentido dos dendritos para o corpo celular, deste para o axónio e finalmente para os telodendritos e destes para as estruturas de acção, ou para outro neurónio, através da mediação dos neurotransmissores no botão sináptico.

Uma das doenças que mais afecta os neurónios é a esclerose múltipla [3], que tem directamente que ver com a perda da protecção de mielina, o que leva a que exista interferência eléctrica com o neurónio, obrigando-o a receber estimulação na parte onde o impulso só era conduzido, o axónio.

O neurónio, ou célula nervosa, é um condutor de estímulos por excelência; recebe e entrega os impulsos para gerar decisão e acção. As ligações entre neurónios formam uma rede extraordinária e, quanto mais ligações existirem, maior parece ser a capacidade da pessoa aprender, ainda que essas ligações variem muito ao longo da vida.

Saúde!