Por Gustavo Martins-Coelho

Toda a gente sabe que Agosto é o mês das férias, por excelência; e a praia é a quinta-essência das férias. A minha mãe costuma dizer que o mês ideal para se estar na cidade é em Agosto, porque, como toda a gente corre para a praia, se pode viver à vontade, sem trânsito, sem filas, sem multidões… Pela mesma ordem de ideias, Setembro é o mês ideal para tirar férias, dado que ainda está sol e calor, mas meio mundo já voltou ao trabalho, deixando a praia livre. Mas não é para falar sobre a melhor altura para estar de férias que aqui vim.

Há uma canção, um poema falado, se lhe quisermos chamar, que começa com a expressão: «se eu pudesse dar-te apenas um conselho para o futuro, seria que usasses protector solar» [1]. De seguida, são dados mais alguns conselhos: aproveita a juventude; não te preocupes com o futuro; vence um medo por dia; canta; não magoes os corações alheios; usa fio dentário; não sejas invejoso; lembra os elogios, esquece os insultos; guarda as cartas de amor; faz alongamentos; toma muito cálcio; cuida dos teus joelhos; não sejas demasiado orgulhoso de ti mesmo; aproveita o teu corpo; dança; lê as instruções; não leias revistas de beleza; fala com os teus pais e sê bom para os teus irmãos; guarda alguns bons amigos; experimenta viver em sítios diferentes; viaja; aceita o que não podes mudar; respeita os mais velhos; não dependas doutra pessoa; cuida do cabelo; e toma cuidado com os conselhos que te dão — e, depois desta lista toda, termina com a frase: «mas confia em mim, a respeito do protector solar».

Sobretudo em tempo de praia, mas, na verdade, sempre que está sol, o protector solar é o melhor instrumento de que dispomos para prevenir o cancro da pele. O cancro da pele é, como qualquer outro cancro, um crescimento descontrolado das células que compõem o nosso organismo — neste caso, das células [2] da pele. Os dois tipos mais comuns de cancro da pele chamam-se carcinoma de células basais e carcinoma de células escamosas e são curáveis, mas podem ser desfigurantes. O terceiro tipo mais frequente é o melanoma, que é mais perigoso e causa maior mortalidade.

Apesar dalgumas pessoas terem maior risco de contrair cancro na pele do que outras, qualquer pessoa pode ser acometida e a maioria dos casos está relacionada com a exposição a raios ultravioleta, que é também o factor de risco que podemos prevenir com maior facilidade. Os raios ultravioleta são um tipo de luz invisível, proveniente do sol e doutras fontes, tais como os solários. Dividem-se em três tipos: A, B e C. Os ultravioleta A têm a capacidade de atravessar a epiderme (a camada exterior da pele), provocando lesões na camada inferior e aumentando o risco de desenvolver cancro da pele. Os ultravioleta B são parcialmente absorvidos pela camada do ozono (pelo menos, enquanto ela resistir à nossa poluição) e ajudam a pele a produzir a vitamina D, necessária ao bom desenvolvimento dos ossos, mas, apesar dessa função benéfica, podem também ser lesivos da pele. Finalmente, os ultravioleta C são muito perigosos, mas são totalmente absorvidos pela camada do ozono e não atingem a superfície da Terra. Esperemos que assim continue a ser.

O risco mais visível do sol é a queimadura solar: quem nunca apanhou um escaldão, na praia? Mas os raios ultravioleta também têm a capacidade de alterar a textura da pele, fazê-la envelhecer mais rapidamente, causar cancro da pele e até desenvolver cataratas nos olhos.

Então, o que podemos fazer para nos protegermos dos raios ultravioleta — além de usar protector solar? Esse será o tema da próxima semana.