Por Gustavo Martins-Coelho

Começámos por ver, na semana passada [1], o que é o cancro da pele e de que forma os raios ultravioleta emitidos pelo sol podem aumentar o risco de vir a desenvolver uma tal doença; e ficou prometido que, esta semana, falaríamos do que podemos fazer para nos protegermos dos raios ultravioleta. Vamos a isso, então!

A primeira coisa a fazer é conhecer o risco que se corre. Algumas pessoas são mais susceptíveis do que outras. Por exemplo, pessoas com peles mais claras, peles que queimam ou ficam vermelhas facilmente, ou se enchem de sardas, quando expostas ao sol, pessoas de olhos ou cabelo claro, pessoas que tenham tido muitos escaldões, pessoas que tenham tido cancro da pele, ou alguém na família que o tenha tido, pessoas cuja profissão as obrigue a estar muito ao sol, ou pessoas com muitos sinais na pele, ou os frequentadores de solários — são pessoas que têm um risco acrescido de desenvolver cancro da pele.

A segunda coisa é perceber que o bronzeado da pele não é sinal de saúde. Quando os raios ultravioleta atingem a pele, esta produz melanina, que é o pigmento que dá a cor à pele. É este aumento da melanina que origina o bronzeado. Mas a presença de mais melanina — e, portanto, do bronze — significa apenas que a pele foi lesada por raios ultravioleta e está a tentar proteger-se.

A terceira coisa que devemos fazer é consciencializar-nos de que não é só na praia, e nos dias de sol do Verão que há raios ultravioleta. A exposição solar é perigosa nos dias nublados; e a utilização de solários também expõe a pessoa a ultravioletas; bastam quinze minutos de exposição à radiação ultravioleta para causar danos na pele. Durante o Verão, as horas entre as dez da manhã e as quatro da tarde são as mais perigosas e devem ser evitadas na praia.

Depois, podemos tomar medidas simples: na praia, ficar à sombra, especialmente nas horas perigosas; usar roupa que tape os braços e as pernas; usar um chapéu de aba larga, que cubra a cabeça, a cara, as orelhas e o pescoço; usar óculos de sol com filtro ultravioleta; usar protector solar; e evitar os solários.

Em relação à roupa, quero notar que as mangas compridas e as calças, ou saias compridas, oferecem protecção, sobretudo se forem de tecidos espessos e de cores escuras, e que a roupa molhada perde muito do seu efeito protector. Hoje em dia, até já há roupa com factor de protecção certificado, como o protector solar! Mesmo na praia, é recomendável o uso duma camiseta.

Quanto ao chapéu, além da aba, ter em atenção dois aspectos: a palha tem muitos buraquinhos, que deixam passar a luz solar, pelo que são preferíveis chapéus doutro tipo; e, tal como para a roupa, uma cor escura protege mais.

O protector solar deve ser usado todos os dias e não se limitar aos dias de praia. A maioria dos protectores solares contém substâncias que absorvem ou reflectem a luz solar, mas as diferentes marcas usam ingredientes diferentes, pelo que, se a pele reagir a um protector, antes de desistir de todo do protector solar, troque simplesmente de marca. O factor de protecção é um número que indica a eficácia do protector a bloquear os raios ultravioleta. É preciso não esquecer de reaplicar o protector de duas em duas horas e depois de sair da água, de suar ou de usar a toalha. Ah! E, claro, verificar o prazo de validade do protector! Se a embalagem não indicar um prazo de validade, assuma três anos após a data em que o comprou.

Finalmente, quero deixar uma palavra rápida sobre os solários. Os solários expõem os utilizadores aos raios ultravioleta A e B, causando danos na pele. Diversos estudos comprovam que a utilização de solários aumenta o risco de cancro da pele, incluindo do mais mortífero — o melanoma [1], bem como cataratas e cancro nos olhos. Além disso, também provoca envelhecimento prematuro da pele, com rugas e alterações da sua cor e da textura.

Assim, termino com três noções importantes, a guardar sobre os solários: usar o solário não é mais seguro do que expor-se directamente ao sol; ter um bronzeado de base não protege das queimaduras solares; e o solário não é uma forma segura do corpo sintetizar vitamina D.

Em Portugal, a utilização de solários por menores de dezoito anos é proibida. No Brasil, é proibida de todo, independentemente da idade. Talvez devamos seguir o exemplo dos nossos irmãos de além-mar.