Por Carlos Lima

A adrenalina [1] e a noradrenalina [2] são neurotransmissores [3] que actuam no sistema nervoso central e no sistema nervoso periférico (simpático e parassimpático). Desempenham acção complementar, ou seja, a adrenalina actua em todo o corpo e a noradrenalina complementa a sua acção a nível local e vice-versa.

A libertação de adrenalina é facilitadora da libertação da noradrenalina, porque os receptores são comuns, mas a adrenalina apresenta mais afinidade para esses receptores, pelo que é preciso produzir mais noradrenalina para competir pela ocupação daqueles.

A adrenalina e a noradrenalina são produzidas e armazenadas nas glândulas suprarrenais e nas terminações nervosas [4]. Desempenham diversas funções a nível geral e a nível local [5]:

  • Regulação do sistema cardiovascular: as artérias e as veias [6] possuem sensores de pressão nas suas estruturas; quando a pressão está muito baixa — a chamada hipotensão —, dá-se a libertação de adrenalina e de noradrenalina para fazer concentrar o sangue nos órgãos vitais. Quando a pressão está alta, relaxam os vasos mais pequenos e mais periféricos, para que o sangue se distribua.
  • Regulação da função renal: além de aumentarem a actividade do rim [7] pelo mecanismo acima mencionado, também regulam a reabsorção do sódio [8] do filtrado renal e, com ele, da água, fazendo aumentar a pressão sanguínea.
  • Regulação do sistema endócrino [9]: influenciam a libertação de insulina pelo pâncreas [10] e de glicagina pelo fígado [11]. Com o aumento da adrenalina e da noradrenalina, diminui a produção de insulina e aumenta a produção de glicagina, que é um fornecedor de energia mais rápido e directo. A hipoglicemia, ou baixa de açúcar no sangue, faz aumentar a libertação de adrenalina, sendo esta a grande responsável pelos sinais e sintomas associados à hipoglicemia (aumento do ritmo cardíaco, palpitações, tremores); no fundo, funciona como alarme, enquanto dá uma resposta generalizada.
  • Regulação da temperatura corporal [12]: o frio aumenta a libertação de adrenalina e noradrenalina para provocar uma contracção da pele e assim se perder menos calor. Pode ser mesmo necessário o recurso aos tremores ou calafrios para aumentar a temperatura corporal. Quando a exposição ao frio é muito prolongada, o corpo adapta-se e a libertação de adrenalina e noradrenalina diminui.
  • Regulação do aparelho digestivo: a alimentação estimula a libertação de noradrenalina para concentrar mais sangue na região abdominal.
  • Regulação da coagulação sanguínea [13] e do sistema hematopoiético [14]: nas hemorragias graves, desempenham um papel vital, ao concentrarem o sangue nos órgãos vitais e contribuindo para o colapso do vaso sanguíneo sangrante, bem como estimulando a produção e renovação do sangue [15].
  • Regulação do equilíbrio postural: estar em pé faz aumentar a produção de noradrenalina em duas a três vezes, para aumentar o sangue disponível para o cérebro [16].
  • Regulação do sistema reprodutor: na mulher, interferem com as contracções uterinas e com a produção de estrogénios e de progesterona; no homem, influenciam a força da ejaculação.
  • Regulação das emoções: exercem influência na regulação das funções cerebrais e nos estados emocionais.

A adrenalina ajuda no controlo das alergias e é administrada para combater o choque anafilático ou alergias graves.

A adrenalina e a noradrenalina desempenham um papel vital à actividade humana, que varia entre as reacções de medo às simples tarefas de sobrevivência, e permitem uma adaptação rápida ao ambiente que nos rodeia. É por essa capacidade de mudança e adaptação rápida que por vezes chamamos ou dizemos que esta ou aquela actividade tem muita adrenalina.

Saúde!