Por Jarrett Walker
Traduzido do original [1] por Gustavo Martins-Coelho


 

The Source: Em vários dos seus artigos na «Rua da Constituição» [2], discutiu a rede Metro Rapid Bus, descrevendo-a como o melhor serviço que poderia ter sido implementado em toda a cidade, tendo em conta as restrições de tempo e recursos existentes. No entanto, até hoje, apenas as linhas iniciais nas avenidas Ventura e Wilshire receberam o «pacote completo» (por exemplo, abrigos, sinalização de informações, etc.) levando algumas pessoas a ver o projecto como tendo falhado as promessas. Daqui para a frente, o que é preciso acontecer para realizar plenamente a promessa do sistema Rapid Bus? Quais dos compromissos iniciais devem ser reexaminados?

Jarrett Walker: A marca Metro Rapid [3] seguiu um arco previsível que se vê acontecer a muitas ideias excelentes. Primeiro, faz-se um projecto piloto no mercado mais forte possível — o que para o Rapid significava Wilshire e Ventura. Então, é bem sucedido. Agora, toda a gente quer ter o mesmo. Então, começamos a replicá-lo em muitos corredores. Mas, como começámos com os mercados mais fortes de todos, então, ao expandi-lo para outros mercados, o ganho marginal diminui, como seria de esperar. A partir de certo ponto, atinge-se o fundo e começa-se a cortar novamente o serviço.

imageNote como os autocarros DASH passaram exactamente pelo mesmo arco: primeiro, um grande sucesso no centro da cidade, onde o mercado é o ideal. Então, cada bairro queria um. Então, agora há-os em toda a cidade, mas é claro que a maioria deles não funciona como no centro da cidade, pelo que acabamos a reduzir a frequência e, gradualmente, a marca perde algum significado.

Este arco é tão comum que não há razão para reclamar. É o que acontece a todas as grandes novas ideias.

Então, à medida que o Rapid se expandia, muitos dos recursos que eram tão bons na versão original simplesmente não eram sustentáveis. Tenho a certeza de que os debates chegaram a perguntas como esta: devemos estender esse excelente produto de mobilidade a apenas dois corredores, de modo a podermos pagar todos os abrigos e sinais bonitos? Ou devemos esquecer os abrigos e estender esse óptimo produto a todos os lugares que pudermos?

Acho que o Metro Rapid foi uma grande conquista. A mesma ideia está agora a espalhar-se por toda a América do Norte, e eu dei o meu melhor para a promover no estrangeiro, citando Los Angeles como o modelo mais desenvolvido. Mesmo algumas cidades europeias podem aprender com ele.

Mas é preciso alguma força para proteger o significado da marca diante tanto dos limites financeiros como da exigência de que cada nova ideia seja estendida a todos os lugares. É bom ver alguns dos Rapids mais fracos serem eliminados, para que a marca possa focar-se onde será bem sucedida, porque isso ajuda a manter toda a marca Metro Rapid com um padrão de serviço e comodidade mais elevados. Não é tão bom ver alguns Rapids serem cortados apenas para os dias úteis, ou ver as frequências e a duração do serviço reduzidas, porque isso significa que a marca Metro Rapid significa menos; e isso é mau para todos os Rapids e para toda a estratégia que eles servem.