Nota do editor: este artigo é um resumo do artigo do Leif Wenar, publicado no «The New York Times» [1]


Em 1665, Londres contava milhares de vítimas da peste. A imundície acumulava-se nas ruas e os animais domésticos, nomeadamente cães e gatos, andavam à solta. Por ordem do presidente da câmara, mais de 4.000 cães e gatos foram mortos. Desaparecidos os predadores, os ratos que transmitiam a peste proliferaram no lixo e agravaram a transmissão da doença. Um quinto da população morreu e um terço da cidade ardeu. As mortes, tanto de seres humanos como de animais domésticos, foram devidas à doença, mas sobretudo à ignorância.

Hoje, a pestilência ameaça-nos, não tanto por causa da nossa ignorância, mas por causa do sucesso da nossa tecnologia: os transportes são tão rápidos que as doenças podem agora propagar-se a nível global; o seu combate passou a fazer-se mais através do cancelamento de voos do que do extermínio de pulgas. Se, no século XVII, o suor humano nos mantinha no limiar da sobrevivência, hoje alimentamos uma população 16 vezes maior com maior abundância e com muito menor esforço. São as nossas próprias criações que nos colocam em risco: as bombas guiadas pela física de partículas, os computadores que espiam a nossa vida privada, a poluição que os nossos carros produzem, as crises alimentares resultantes das alterações climáticas.

O principal desafio das crises do progresso é suster os danos, sem perder os benefícios: como ter tanta gente a comer melhor, a viver mais e a viajar mais, sem com isso destruir o planeta que nos sustenta?