Nota do editor: este artigo é um resumo de parte do artigo do George Monbiot, publicado no «The Guardian» [1]


O termo neoliberalismo foi cunhado em 1938 e a sua ideologia desenvolvida por dois exilados austríacos, Ludwig von Mises e Friedrich Hayek, que viam a social-democracia como uma manifestação dum colectivismo indiferente do nazismo e do comunismo: o planeamento público esmaga o individualismo e leva inevitavelmente ao totalitarismo. Esta ideia foi aproveitada pelos muito ricos, como forma de evitarem os impostos, que financiaram a sua divulgação através da Mont Pelerin Society [2] e, mais tarde, do American Enterprise Institute [3], da Heritage Foundation [4], do Cato Institute [5], do Institute of Economic Affairs [6], do Centre for Policy Studies [7] e do Adam Smith Institute [8]. Estas instituições, juntamente com as posições académicas financiadas pelos mesmos milionários e a cooptação de jornalistas e activistas, criaram uma espécie de internacional neoliberal.

A evolução do neoliberalismo tornou-o mais estridente. Por exemplo, enquanto Hayek defendia a intervenção estatal como forma de prevenir monopólios, o seu discípulo Milton Friedman via os monopólios como prémios de eficiência. Mas, mais interessante, fê-lo perder o nome.

Apesar do financiamento avultado, o neoliberalismo não cativou grande interesse até aos anos setenta do século XX. As concepções económicas do keynesianismo (pleno emprego, combate à pobreza, progressividade nos impostos, segurança social e serviço público) eram dominantes. Foi com a crise petrolífera que as ideias neoliberais penetraram na corrente, como uma alternativa à falência das políticas keynesianas.

Com a tomada de posse da Margaret Thatcher e do Ronald Reagan, o neoliberalismo foi aplicado em toda a sua extensão: cortes de impostos para os ricos, esmagamento dos sindicatos, liberalização e privatização de serviços, subcontratação e competição entre serviços públicos. O FMI, o Tratado de Mastrique e a Organização Mundial do Comércio encarregaram-se de expandir o neoliberalismo a todo o mundo, muitas vezes sem consentimento democrático. Inclusivamente, os partidos sociais-democratas ocidentais adoptaram como sua a retórica neoliberal. É difícil imaginar outra utopia tão extensamente realizada.