Nota do editor: este artigo é um resumo de parte do artigo do George Monbiot, publicado no «The Guardian» [1]


Tal como o comunismo, o neoliberalismo falhou. A sua persistência deve-se, em parte, ao seu anonimato.

A doutrina invisível da mão invisível é promovida por apoiantes invisíveis, que procuram permanecer nesse estado [2] e dos quais só conhecemos alguns. Por exemplo, sabemos que o Institute of Economic Affairs, que defendeu a cessação da regulação da indústria do tabaco, foi financiado secretamente pela British American Tobacco desde 1963 [3]; e sabemos que Charles e David Koch, dois dos homens mais ricos do mundo, deram origem ao Tea Party [4].

O vocabulário neoliberal oculta mais do que elucida. O «mercado» não é o sistema natural que afecta todos por igual, como a gravidade; o mercado é controlado pelas grandes empresas e pelos seus patrões. O «investimento» pode ter dois significados: o financiamento de actividades produtivas e socialmente úteis, ou a aquisição de activos existentes para deles extrair rendas, juros, dividendos ou mais-valias. Usar a mesma palavra para as duas acepções camufla as fontes da riqueza, levando-nos a confundir criação com extracção de riqueza.

Há cem anos, os novos ricos eram deprezados pelos herdeiros e faziam-se passar por proprietários. Hoje em dia, a situação inverteu-se: os proprietários e os herdeiros fazem-se passar por empreendedores, para fingirem ter ganho o seu dinheiro.

Este anonimato associa-se à confusão do capitalismo moderno: o modelo de franchising que faz com que os trabalhadores não saibam para quem trabalham [5]; os offshores são tão complexos que nem a polícia percebe donde vem e para onde vai o dinheiro [6]; os esquemas fiscais das empresas fintam os governos; e os produtos financeiros dos bancos são incompreensíveis para os clientes.

O anonimato do neoliberalismo é ferozmente protegido. Os neoliberais rejeitam ser assim chamados, afirmando — com alguma razão — que o termo é usado pejorativamente [7]. Mas não oferecem um termo alternativo e aproveitam a confusão com outros termos, tais como liberal ou libertário.