Nota do editor: este artigo é um resumo de parte do artigo do George Monbiot, publicado no «The Guardian» [1]


O neoliberalismo conseguiu triunfar graças ao seu planeamento, à sua paciência e à sua persistência, mas também devido à falência da esquerda. Quando a economia laissez-faire conduziu à catástrofe de 1929, Keynes desenhou uma teoria económica capaz de substituir o paradigma anterior. Quando o keynesianismo atingiu o limite nos anos 1970, havia uma alternativa pronta. Mas, quando o neoliberalismo se desmoronou em 2008, nada havia para o substituir. A esquerda não produziu um esquema geral de pensamento económico novo nos últimos oitenta anos.

A invocação do lorde Keynes é uma admissão de incapacidade. Propor soluções keynesianas para as crises do século XXI é ignorar três problemas óbvios: é difícil mobilizar as pessoas em torno de ideias velhas; as limitações expostas nos anos 1970 não desapareceram; e, acima de tudo, não resolvem o nosso maior problema — a crise ambiental (o keynesianismo funciona estimulando o consumo para promover o crescimento económico, que são os motores da destruição ambiental).

O que a história do keynesianismo e do neoliberalismo demonstra é que não basta opor-se a um sistema falhado. É preciso propor uma alternativa. A tarefa central da esquerda é desenhar um novo sistema, adequado às necessidades do século XXI.