Nota do editor: este artigo é um resumo do artigo do Peter Diamandis, publicado no «LinkedIn» [1]


Provavelmente, os robôs vão roubar, pelo menos, metade dos empregos actualmente existentes. E nós: que faremos para ganhar dinheiro? Uma das mais importantes soluções propostas para a perda de empregos devida à automatização é o rendimento básico incondicional.

Nos EUA, as estimativas afirmam que 45–47 por cento dos empregos serão automatizados nos próximos vinte anos, graças ao desenvolvimento da tecnologia. O desemprego tecnológico afectará a maior parte das carreiras, começando pelos operários fabris e terminando nos médicos e nos advogados, com particular efeito nos países em desenvolvimento.

As implicações ainda não são claras. Alguns especialistas crêem que haverá novos postos de trabalhos, relacionados com a tecnologia; outros prevêem que o desemprego tecnológico altere profundamente a sociedade; enquanto outros acreditam que esta conseguirá adaptar-se, através da redução e desmonetarização do custo de vida e da aplicação do rendimento básico incondicional.

O rendimento básico incondicional consiste na atribuição pelo Estado, a todos os cidadãos, dum montante de dinheiro, independentemente de terem ou não outras fontes de rendimento. A ideia não é nova: já Thomas Paine, em 1797, sugeriu a criação dum fundo nacional para pagar quinze libras esterlinas a cada adulto com mais de 21 anos…

Actualmente, vários países estão a experimentar o rendimento básico incondicional. Em França, a hipótese dum projecto piloto está a ser considerada pelo governo. Na Finlândia, uma amostra de cerca de três mil cidadãos vai receber, durante dois anos, €560 por mês, com o objectivo de descobrir se essa medida reduz a pobreza, a exclusão social e a burocracia e aumenta a taxa de emprego. Nos Países Baixos, a cidade de Utreque vai atribuir a seis grupos de cidadãos diferentes montantes por mês, durante dois anos e com diferentes requerimentos de participação. Na Índia, mais de 350 milhões de pessoas (cerca de 30% da população), permanece abaixo do limiar da pobreza. Por isso, em 2011, o país, apoiado pela UNICEF, lançou um pagamento, a cada mãe de família, em oito aldeias diferentes, de duzentas rupias por adulto e cem rupias por criança. Nos EUA, também uma empresa de São Francisco pretende fazer um estudo semelhante.

Os resultados são promissores. Na Índia, a nutrição das crianças melhorou, sobretudo entre as raparigas. O trabalho aumentou, ao contrário do que esperavam os cépticos: houve menos jorna e mais empreendedorismo; e menos emigração. As mulheres beneficiaram mais do que os homens.

Mas o estudo mais importante sobre o rendimento básico incondicional provém duma pequena vila canadiana de dez mil habitantes, onde, entre 1974 e 1979, o governo pagou um rendimento anual a todas as famílias elegíveis. Os beneficiários tiveram menos hospitalizações, menos acidentes e lesões, menos internamentos em instituições psiquiátricas, menos abandono escolar e menos gravidez adolescente. Além disso, praticamente todos os beneficiários saíram da situação de pobreza em que se encontravam. Os beneficiários empregados mantiveram os empregos. Ou seja, não desistiram de trabalhar; e o dinheiro extra serviu para investirem na saúde, na educação e para planearem a longo prazo.

No futuro, à medida que a tecnologia elimina os empregos tradicionais e cria nova riqueza em grande quantidade, o rendimento básico incondicional tornar-se-á uma necessidade. Há, contudo, muitas questões por responder: donde virá o dinheiro necessário — impostos? haverá dificuldades imprevistas, ou conflitos? os governos reagirão a tempo, tendo em conta a velocidade do progresso tecnológico, ou teremos de passar por uma fase de conflito e violência?

Eu acredito que, com o rendimento básico incondicional e a redução do custo de vida, mais pessoas poderão realizar as suas paixões, ser mais criativas e passar mais tempo a desempenhar tarefas de ordem superior e mais agradáveis.

Quando isto acontecer, estaremos um passo mais perto dum mundo de abundância.