Nota do editor: este artigo é um resumo de parte do artigo do Ian Leslie, publicado na «The Economist» [1]


Este ano, estive numa palestra sobre desenho comportamental [2], na Califórnia, na qual estavam cerca de vinte executivos norte-americanos, brasileiros e japoneses, encarregues de levar o desenho comportamental aos seus patrões. O criador do desenho comportamental, B. J. Fogg, que nos ministrou a palestra, disse-me, antes do início, que a «Retórica» de Aristóteles será a bíblia da tecnologia, mais cedo ou mais tarde.

Segundo aquele, os computadores, através das tecnologias interactivas, podem ser usados para influenciar o comportamento dos seus utilizadores. Os computadores não são apenas ferramentas de trabalho, mas parte da vida diária das pessoas em todos os contextos. B. J. Fogg propõe explorar o conhecimento científico obtido no campo da psicologia para desenhar programas e aplicações capazes de levar os seus utilizadores a fazer coisas que, doutra forma, não fariam.

Este estudo na fronteira entre psicologia e tecnologia é o denominado desenho comportamental e está imbricado no sistema operativo das nossas vidas diárias: os emails que induzem o consumo, as aplicações e os jogos que prendem a atenção; os formulários que guiam a resposta num sentido — todos eles estão desenhados para penetrar no cérebro humano e capitalizar os seus instintos e as suas falhas. As técnicas são muitas vezes imperfeitas e ostensivamente manipuladoras, mas estão a tornar-se paulatinamente mais refinadas e furtivas.

Esta técnica gera milhões. Muitos dos empreendedores e engenheiros do Vale do Silício passaram pelo laboratório de B. J. Fogg em Stanford e estão hoje ricos. Já este, nem por isso: ficou pela universidade, onde faz pouco trabalho comercial e onde está cada vez mais preocupado ante a perspectiva das suas ideias poderem ser perigosas.