Nota do editor: este artigo é um resumo de parte do texto do Oliver Burkeman, publicado no «The Guardian» [1]


Com a passagem do tempo, o taylorismo tomou as nossas vidas e deixou de ser uma forma de obrigar os trabalhadores a produzir mais na mesma unidade de tempo, para passar a ser um regime que cada um impõe a si mesmo em todos os aspectos da sua vida.

O primeiro guru conhecido da gestão do tempo foi Ivy Lee, que aconselhou os executivos da Bethlehem Steel sobre como definir prioridades e planear o trabalho, a pedido do presidente da empresa, Charles Schwab. A lenda conta que Ivy Lee sugeriu que a empresa testasse o seu sistema por três meses e, no final, lhe pagasse o que entendesse justo. Charles Schwab passou-lhe um cheque de $400.000, a preços correntes.

Outros gurus se seguiram, que acrescentaram à estratégia original a definição de objectivos de longo prazo e valores espirituais. A gestão do tempo prometia controlo num mundo onde a diminuição do apoio social e dos laços religiosos fazia as pessoas sentirem-se perdidas; servia de ferramenta para aumentar a segurança laboral, através de maior eficiência pessoal, num mundo com relações laborais cada vez mais precárias; e, acima de tudo, prometia uma vida plena de significado, num mundo dirigido pela procura do lucro — alcançar a paz interior no meio do número avassalador de coisas para fazer.

No entanto, a produtividade pessoal coloca o peso todo nos ombros do indivíduo, nunca questionando se é realmente necessário sermos sobre-humanamente eficientes para nos aguentarmos na economia moderna. Além disso, as suas promessas não são realistas. Um facto desconhecido do fundador do taylorismo é que ele foi despedido em 1901, quando a Bethlehem Steel chegou à conclusão de que as suas estratégias não tiveram qualquer impacto no lucro da empresa. Por outro lado, a tal paz interior é uma miragem, pois, quanto mais eficientes nos tornamos, mais tarefas nascem para fazermos. Finalmente, a consciência da utilização do tempo aumenta a noção do tempo perdido, o que gera ansiedade, enquanto o atingimento dum objectivo de longo prazo só produz uma satisfação momentânea, até ao estabelecimento do objectivo seguinte.

Isto é exactamente o que aconteceu com a tecnologia doméstica: a introdução de electrodomésticos, em vez de aumentar o tempo livre das pessoas encarregues das tarefas domésticas, aumentou o padrão de limpeza e organização doméstica.

Hoje em dia, o mesmo se passa com o correio: em vez de esperarmos dias pela resposta a uma carta, reclamamos, se tivermos de esperar mais duma hora pela resposta a um email.