Nota do editor: este artigo é um resumo do texto do Mark Coppock, publicado na «Digital Trends» [1]


A tecnologia está de dieta: os fabricantes estão convencidos de que, quanto mais pequeno, melhor. A questão é: de que temos de abdicar em nome do peso e do tamanho?

Em termos de computadores portáteis, até ao MacBook Air, fazia sentido lutar pela redução da espessura, pois os equipamentos eram bem maçudos, nessa altura. Hoje em dia, praticamente todos os computadores portáteis são extremamente finos e leves. Mas ser fino tem os seus custos.

Quando fino se torna demasiado fino

Os computadores portáteis actuais são tão finos que sacrificam a funcionalidade: menos portas, teclados reduzidos e baterias de menor dimensão.

O melhor exemplo é o MacBook Pro de 2016 [2], ao qual a Apple retirou uns milímetros numa máquina já de si fina e, de caminho, retirou também muitos dos seus predicados. A «coragem» em deixar apenas as portas USB C resultou na necessidade dos utilizadores recorrerem a acessórios caros e pouco práticos [3] para compensarem a conectividade perdida. No teclado, a Apple optou pelo mal-amaado teclado de doze polegadas do MacBook, em vez do muito apreciado teclado antigo do MacBook Pro. Mas o maior sacrifício no altar da finura foi a vida da bateria. O resultado é péssimo e ainda pior no modelo com touch bar.

A Apple é famosa pela longa duração da bateria nos seus computadores portáteis. Neste caso, se não se tivesse focado tanto no tamanho, poderia ter mantido ou até aumentado a duração da bateria, comparativamente a modelos anteriores.

Outros fabricantes, como a Acer [4, 5], a Asus [6] e a HP [7], investiram também em equipamentos finos e o resultado foi igualmente deprimente, em termos de bateria e conectividade. Contudo, estes e outros fabricantes de PC Windows continuam a oferecer uma variedade de equipamentos não tão finos e com conjuntos completos de portas, baterias de longa duração e teclados excelentes, coisa inexistente no caso da Apple.

A decisão corajosa da HP

A HP, inclusivamente, lançou recentemente um modelo mais espesso do que o seu predecessor imediato [8], com melhores gráficos e sem comprometer a bateria, num processo consciente de ir ao encontro das necessidades do consumidor. O aumento da espessura foi a forma encontrada para fazer isso acontecer: os dois milímetros a mais aumentam a capacidade da bateria em 23% e permitem atingir 12h45 de duração com um ecrã 4K.

Enquanto a Apple alienou uma parte significativa dos seus clientes leais ao sacrificar a função à forma, a HP seguiu o caminho contrário: reconheceu que as pessoas querem um aparelho bonito, fino e leve, mas não estão dispostas a abdicar da funcionalidade em nome desses atributos.

O fim do fino?

A HP não é o único fabricante a dar prioridade à função sobre a forma. A Dell, por exemplo, tem mantido a mesma estrutura e aumentado a duração da bateria dos seus computadores [9, 10] há vários anos.

O objectivo, aqui, não é dizer mal da Apple. É simplesmente anotar que o fascínio da indústria com a finura atingiu o limite e o novo MacBook Pro foi demasiado longe. Os computadores portáteis, os tabletes e os telemóveis já são suficientemente finos; está na hora de nos preocuparmos com o que conseguimos meter lá dentro.