Nota do editor: este artigo é um resumo de parte do artigo da Jay Griffiths, publicado na «Aeon» [1]


O fascismo começa de forma insidiosa, definindo uma ética e não uma política, apelando à emoção e não à razão. Recorre à propaganda, despreza a verdade e investe no espectáculo. Sem se preocupar com a própria incoerência, é anti-intelectual e despreza a população, manipulando a sua mentalidade, adaptando-se à cultura de cada país e usando os meios de comunicação disponíveis em cada tempo. É hostil à igualdade e odeia o liberalismo. Detesta a vulnerabilidade e cultiva a selecção darwiniana do mais bruto, culpando a vítima por encorajar o ataque. Promove a violência e a demagogia e pretende ser a voz do povo, mas afasta-o da liderança e cultiva o chauvinismo, o nacionalismo e o racismo.

Quando é fácil de identificar, o fascismo é um problema auto-limitado. O verdadeiro problema é o fascismo insidioso da alt-right, que vai beber directamente à Itália futurista que originou Mussolini.

O Manifesto Futurista de 1909 proclamou o fascismo emocional, do qual o fascismo político nasceu: o aço como material escultórico, mas também como material mental — a crueldade, o ódio e a agressão. A alt-right mostra o mesmo amor ao ódio, publicando obras como «In Praise of ‘Hate Speech’» (Em defesa do discurso do ódio) [2] ou dizendo frases como: «acreditamos no direito a promover o ódio por todos os meios que não sejam legalmente definidos como agressão» [3].

Os traços de carácter aplaudidos pela extrema direita actual — ambição, orgulho, rapidez, impulsividade, agilidade, sucesso e hostilidade — são as mesmas qualidades que os Futuristas valorizavam. Esta mentalidade de rufia detesta a sensibilidade do liberalismo. A seu ver, não deveria haver protecção para os fracos, numa atitude proto-fascista de desprezo pela vítima, por ser vulnerável.

O libertarismo, que é hoje mais influente do que nunca, associou-se à alt-right, promovendo, em conjunto com esta, o direito a ofender e a oprimir, em nome da liberdade de expressão, tratando com desdém a sensibilidade individual ou cultural daqueles que se sentem incomodados com o discurso do ódio.