Nota do editor: este artigo é um resumo de parte do texto do Oliver Burkeman, publicado no «The Guardian» [1]


No Verão passado, decorreu uma conferência destinada a promover a eliminação da epidemia de excesso de trabalho e uma vida menos focada na produtividade pessoal. Foi um evento pouco participado, não só por ter decorrido em altura de férias, mas também porque ser antiprodutividade, nos dias que correm, conta como subversivo e não granjeia apoios e patrocínios das grandes empresas, nem amplas campanhas de divulgação.

Os participantes discutiram semanas de trabalho de quatro dias, o fim da hora de Verão, as eleições ao fim-de-semana e o modelo europeu. Mas, acima de tudo, questionaram as ideias de que «fazer mais» deva ser o objectivo principal e de que a vida deva justificar-se economicamente.

Um dos maiores erros da atitude eficiente é a eficiência no uso do tempo livre. Os passeios acontecem para alimentar o Instagram, a corrida acontece para melhorar a saúde, a educação dos filhos acontece para criar adultos de sucesso. Nada acontece por prazer. O lazer só é válido, se permitir recuperar energia para trabalhar mais.

Se este aumento de eficiência não traz os benefícios prometidos, é preciso uma mudança. Na conferência do Verão passado, o consenso foi de que é necessária uma reforma das políticas sobre férias, licença de maternidade e horas extraordinárias. Mas, individualmente, podemos aceitar a ideia de declinar oportunidades, desapontar pessoas e deixar de fazer algumas coisas. Não é obrigatório ganhar mais dinheiro, atingir mais objectivos ou pertencer a mais grupos. Crescer só por crescer é a ideologia do cancro.