Por Hélder Oliveira Coelho


Já é um clássico que eu faça uma crónica anual sobre o Festival da Canção [1], quando não faço duas ou três… Mas, se a primeira já é um achado, a segunda ou a terceira já são muito custosas.

Pois este ano não será excepção. Para quem não viu, faço um resumo em tom de relato. Assim, faço-vos poupar tempo, bem tão precioso. Podia obviamente dedicar-me a tudo o que há de conceptual, turístico, económico ou político em torno deste festival. Obviamente… Vou relatar-vos o que mais gosto nele… A futilidade!

O festival começou com Israel. Ao que consta, será a última vez que participa. A mim, espanta que tenha participado a primeira… Israel no festival da Eurovisão? Euro? Israel? Vamos ao que importa: a canção!

Israel — muito músculo, pouca voz!

Polónia — tecido a menos, gritos a mais.

Bielorrússia — alguém usa as ideias da Joana Vasconcelos para aplicar a guitarras.

Áustria — uma canção igual a qualquer outra canção duma banda sonora da Disney.

Arménia — foi por essas e outras que o sr. Gulbenkian, quando chegou a Lisboa, nunca mais quis ir embora.

Holanda — as Spice versão red light district.

Moldávia — muito bom para animar casamentos.

Hungria — com a Cidália Moreira lá deles.

Itália — o filho do Eros Ramazzotti em dueto com o Macaco Adriano; o Big Show SIC no seu melhor.

Dinamarca — uma Kátia Aveiro loira.

Portugal — se um dia alguém, perguntar por mim… sem fazer planos…

Azerbaijão — a fusão de Cyrus e Skunk Anansie (assustador)…

Croácia — o Fernando Pereira antes da cirurgia bariátrica.

Austrália — Eurovisão, Eurovisão, Euro? Austrália?

Grécia — é por isto que se diz beleza helénica e não voz helénica.

Espanha — pues que de Barceloneta a Miami beach no tardamos más que un ratito.

Noruega — se ele deixar de tomar os ácidos, deixa de ouvir a voz e nós até agradecemos.

Rei Unido — volta, Shirley Bassey, volta! Estás perdoada!

Chipre — fui só eu que escutou algo de Muse, versão loja dos trezentos, nesta canção?

Roménia — dueto entre Heidi e o filho mais novo do Capitão von Trapp, oh pra eles tão tesudos!

Alemanha — a Pink estaria orgulhosa! Ah, espera! Isto não é um cover

Ucrânia — eu ainda estou a tentar entender como ganhou o ano passado…

Bélgica — se ela a soubesse cantar, era uma grande canção.

Suécia — oh, meu Deus! O Ken existe e é sueco!

Bulgária — vá, meninas desesperadas por um novo elemento dos «One Direction»: ele aí está!

França — um réquiem é uma missa fúnebre… Tendo em conta o ritmo emanuelino, o falecido devia ser uma besta!

Depois da intensa jornada de comentários às cantigas do festival, vou tomar o meu Xanax para as votações.

Ganhámos! #salvador

Para os que, como eu, não estão familiarizados, se colocarmos um cardinal antes de uma palavra, acontece algo místico e toda a gente sabe que dissemos essa palavra.

Termino com uma mensagem de esperança para todos os especialistas em música festivaleira: não se apoquentem; os senhores das empresas de sondagens também diziam que o Trump ia perder.

Quanto ao Salvador… É possível que tenham existido canções melhores ao longo do tempo, poemas mais perfeitos, intérpretes mais consensuais… Mas… Soube-me tão bem ver esta vitória! Eu, que sempre pensei que teria que aguardar, no mínimo, mais uma ou duas encarnações…

Deixo-vos então com a já pronta versão inglesa, por Alexander Rybak, vencedor em 2009. Amar pelos dois… Sem fazer planos…