Nota do editor: este artigo é um resumo de parte do texto do Oliver Burkeman, publicado no «The Guardian» [1]


A ética da eficiência e da produtividade arrisca-se a colocar a saúde da economia acima da felicidade dos seres humanos. Mas tal ética nem sequer é boa para o negócio, algo que o negócio insiste em não ver.

Colocar a pressão do tempo sobre os trabalhadores não acelera a execução do trabalho. O contrário é verdade. As melhores empresas são aquelas que apresentam menos pressão sobre o tempo. A criatividade não surge sob pressão. É possível acelerar o trabalho manual através da colocação de pressão sobre os trabalhadores até certo ponto, mas não o trabalho intelectual.

Parte do problema é que a preocupação com o tempo e o cumprimento de prazos prejudica a qualidade do trabalho. Este é um facto cientificamente demonstrado. Mas, além disso, um aumento na eficiência duma organização ou na vida pessoal reduz o tempo perdido, mas também reduz os benefícios da disponibilidade de tempo. Isto é particularmente verdade nos cuidados de saúde: a maximização da eficiência na gestão dos horários das consultas minimiza a capacidade de acomodar consultas que, por algum motivo, se prolongam para além do tempo previsto. A eficiência do médico traduz-se numa sala de espera cheia. Se os sistemas de emergência fossem eficientes, não seriam capazes de dar resposta a chamadas imprevistas, que são a sua razão de existir.

Um problema semelhante acontece nas empresas que tentam reduzir os custos maximizando a eficiência dos trabalhadores: quanto mais horas são usadas para trabalho produtivo, menos disponibilidade há para responder, em cima da hora, a necessidades urgentes. Um sistema capaz de dar resposta tem de ter tempos de inactividade.

Uma empresa que consegue acelerar mas não responde às necessidades exteriores é como um carro com acelerador, mas sem volante: a curto prazo, vai avançar imenso na direcção que escolheu, mas, a longo prazo, vai ser um acidente de viação.