Nota do editor: este artigo é um resumo de parte do artigo do Ben Schreckinger, publicado na «Politico Magazine» [1]


Além do Islão [2], outro tema caro à extrema direita é a dinâmica de género, em defesa da masculinidade. Curiosamente, muitos dos ideólogos desta nova extrema direita, apesar do discurso xenófobo e machista, são casados ou namoram com pessoas doutras raças e religiões.

Alguns dos seus ideólogos defendem também propostas mais — arrojadas — tais como testar o QI de todos os imigrantes, terminar o financiamento federal das universidades e substituir, como medida da política económica, o crescimento do PIB pelo PIB mediano. O rendimento básico universal é também uma ideia levada em consideração, apesar da sua origem à esquerda. Inevitavelmente, surgem, pelo meio, teorias da conspiração, como, por exemplo, que, em Orlando, havia mais do que um atirador; que as saudações nazis nos seus comícios são feitas por agentes plantados pela esquerda; ou que a Hillary Clinton fazia parte duma rede de tráfico de crianças nas traseiras dum restaurante!

Entretanto, a divisa da candidatura presidencial republicana, «make America great again», tornou-se uma marca de auto-ajuda, pela mão do bloguista Mike Cernovich, autor do livro: «MAGA Mindset: Making YOU and America Great Again».

A estratégia de agressividade na comunicação levou ao surgimento de acções combinadas a roçar a selvajaria, com a humilhação, o insulto e o confronto como armas comunicacionais revolucionárias, mesmo (ou especialmente) dentro do Partido Republicano, bem como a disseminação de notícias falsas. Quem faz isto prefere o termo «retórica» para definir tal estratégia…

A estratégia passa também por manter uma certa independência entre os vários membros do movimento, de modo a garantir a sobrevivência de várias cabeças, mesmo que uma seja decapitada.