Nota do editor: este artigo é um resumo de parte do artigo do Rick Perlstein, publicado na «Mother Jones» [1]


O ensaio do Pedro descreve como as fábricas e os pequenos negócios fecharam ou despediram trabalhadores, como metade da baixa da cidade mais próxima ficou abandonada; e termina com a seguinte frase:

Para as pessoas que não têm voz política e vivem em estados com os quais ninguém se importa, a melhor coisa a fazer é tentar enviar um elefante para destruir a loja de porcelana do sistema.

O fim da leitura foi brindado com silêncio e um aplauso. Os demais compreenderam a mensagem. Eu também fiquei impressionado com esta descrição de como a depressão económica construiu a Trumplândia. Mas fui investigar e descobri que a vila do Pedro — e Oklahoma —, não sendo uma região rica, está longe de ser a mais pobre do país, em termos de PIB per capita. Além disso, tem menos desemprego e cresceu (à semelhança doutros bastiões do Donald Trump), recentemente, mais do que a média nacional. Da mesma forma, ao contrário do que o Pedro afirmou no seu ensaio, os impostos não só não subiram, como até desceram ligeiramente (e são os quintos mais baixos do país [2]). Finalmente, embora o Pedro refira que grande parte da população teve de recorrer a ajuda pública, o governo do Oklahoma gasta menos de dez por cento do seu orçamento para a segurança social em pagamentos em dinheiro [3], atribuindo poucos subsídios [3] e de pequeno valor; e os critérios de acesso ao programa Medicaid são dos mais restritos no país [4].

A história de desolação contada pelo Pedro não é bem verdade, portanto, mas bate certo com a narrativa dos eleitores do Donald Trump: pessoas que têm níveis de ansiedade económica acima da média [5], apesar de terem rendimentos acima da média, e que culpam o governo federal pela instabilidade económica [6]. O Pedro dá o exemplo da chegada da Walmart à sua vila:

Então, havia empregos suficientes, incluindo a tempo parcial. Mas a Walmart é constantemente atacada pelos sindicatos, a nível nacional, e pelos regulamentos federais; e isso fez com que pessoas perdessem o emprego, ou passassem a tempo parcial.

Se o maior retalhista do mundo tem sido constantemente atacado por sindicatos e governo federal, isso não se nota no seu lucro [7]. Além disso, a Walmart é mais conhecida por fechar os pequenos negócios [8] do que por revitalizá-los, mas a vila do Pedro não culpa a empresa pelos encerramentos. Escreve ele:

As empresas servem para fazer dinheiro e, se estivessem no lugar deles, fariam a mesma coisa.