Por Gustavo Martins-Coelho


Não me lembro se já partilhei neste blogue [1] que um dos meus passatempos é frequentar aulas de dança. Habitualmente, o teor dos artigos que aqui publico não é, decididamente, pessoal e, normalmente, só partilho informações desse cariz quando tal permite explicar, justificar ou fundamentar alguma afirmação que faço ou opinião que emito. Então, passa hoje, penso eu, ao domínio público que tenho aulas de dança semanalmente. Vem isto a propósito das atribulações na marcação das aulas da semana passada, pois foi difícil assentar a agenda. Essa indecisão levou o meu par a dizer-me que eu sou muito bom a prometer, mas não tão bom a cumprir o prometido. Entre a promessa e o seu cumprimento, há um pequeno pormenor que, por vezes, se interpõe — a realidade. Isto não é o mesmo que dizer que devemos conformar-nos com a realidade, como diz a direita [2]. Mas, depois de estabelecermos os objectivos de mudança, convém manter os pés assentes na terra e não perder a consciência de que os objectivos são isso mesmo — objectivos — e existe a possibilidade real de não serem atingidos. Um exemplo disto que estou a dizer: aqui há uns dias [3], eu defendia que os órgãos autárquicos da freguesia não se podiam calar perante a solução lesiva dos interesses da mobilidade na freguesia proposta nesta fase de expansão da rede do metro do Porto. Esta é a minha promessa: a de que, sendo eleito, não me calarei sobre o assunto. Não posso prometer, obviamente, que a câmara municipal, o conselho metropolitano e o ministério do ambiente (que tutela a empresa do metro) me darão ouvidos. Então, o eleitor poderá dizer, daqui a quatro anos, que foi defraudado, se a obra avançar tal como está? Não! A realidade é esta mesma: eu tenho tanto interesse em ter uma rede de metro funcional como qualquer outro passageiro e faço tenção de usar todos os mecanismos ao meu dispor para garantir que isso acontece. Mas só posso prometer fazer tudo o que me for possível para atingir esse objectivo — e nada mais do que isso. Pelo meio, sempre consegui agendar a aula de dança, na semana passada…

Outra coisa que eu disse na semana passada foi que o PS tornou o Porto na cidade de que todos gostamos (e os turistas adoram); e lancei cinco provas disso [2]. Hoje, acrescento mais duas.

Prova número 6: Miró em Serralves. A colecção Miró, com 85 obras provenientes do defunto BPN, permite conhecer o percurso criativo do artista espanhol desde 1924 até 1981. Em 2014, esteve para ser leiloada na Christie’s, pelo governo de má memória do PSD e CDS [4]. No início deste ano, o governo do PS decidiu que a colecção ficaria permanentemente alojada na Casa de Serralves [5]. A mediação dessa decisão, na defesa do interesse cultural, artístico e também turístico do Porto, foi feita pelo Manuel Pizarro [6]. A prova de que ele estava certo, ao querer Miró em Serralves, foi a exposição «Joan Miró: materialidade e metamorfose» ter sido a mais visitada de sempre naquela Fundação. Ela — a colecção — está agora em Lisboa para uma exposição no Palácio da Ajuda, mas, a partir de 2018, assentará definitivamente numa Casa de Serralves entretanto renovada pelo arquitecto Siza Vieira [7].

Entretanto, retomámos também as visitas na freguesia, tendo passado pelo bairro de Vilar, onde ouvimos uma sugestão muito interessante, com a qual concordo em absoluto: que o estacionamento seja primariamente reservado aos moradores. Ainda não sei como se pode operacionalizar isto (pilaretes, parque privativo?), mas é um assunto definitivamente a estudar.

O ponto de encontro para essa visita foi marcado no Largo da Maternidade. A partir daí, a caminho de Vilar, passámos pelo bairro de Parceria e Antunes e, inevitavelmente, pelo Centro Materno-Infantil do Norte. Esta unidade de saúde concentra todos os serviços de referência nas áreas da saúde materna e da saúde infantil na região Norte e existe graças à acção do Manuel Pizarro [6] enquanto secretário de Estado da Saúde, que, após quase duas décadas de hesitação governamental, desbloqueou o processo, lançou o concurso público e a primeira pedra e obteve o financiamento, incluindo fundos europeus. Arrisco dizer que, pela sua dimensão no âmbito da saúde dos portuenses e nortenhos, esta é a prova número 7 de que o Porto é o que é graças ao Partido Socialista.

Para terminar, mais um pedaço da minha vida pessoal: no passado Sábado, fui a um concerto da Orquestra Casa da Música nos Aliados (já disse que a Casa da Música e a renovação dos Aliados são obra do PS, não disse? Disse [2]). Mantendo o espírito musical aí iniciado, termino o diário de hoje com o hino da campanha do Manuel Pizarro [6] nestas autárquicas. Aqui há mais Porto!