Nota do editor: este artigo é um resumo de parte do artigo da Jay Griffiths, publicado na «Aeon» [1]


A política sempre esteve pejada de propaganda, mas a alt-right leva essa retórica mais longe: sob a capa da liberdade de expressão defendida pelos libertários, a alt-right enfia e ofensa e a mentira. Para a extrema direita, a verdade é um limite à liberdade; e a sua estratégia é simples: pegar num facto, afirmá-lo falso e esperar que a imprensa noticie e a opinião pública se divida, sem quaisquer provas, argumentos ou sequer conhecimento.

Mas há uma mentira libertária particularmente grave: em 1997, o libertarianismo, através da sua revista LM, apoiou o regime nacionalista sérvio e a limpeza étnica de muçulmanos e croatas que este estava a levar a cabo, alegando que os campos de concentração eram na verdade refúgios. A LM fechou, na sequência deste incidente, mas o jornalista alemão que escreveu a peça, Thomas Deichmann, simplesmente mudou para outra revista do mesmo quadrante ideológico — a Spiked.

Esta admiração do autoritarismo pelo libertarismo não é uma anomalia. Um dos fundadores do movimento, Friedrich von Hayek, era um ardente admirador do ditador chileno Pinochet [2], tendo chegado a dizer que preferia uma «ditadura liberal do que uma democracia sem liberalismo»; isto porque, segundo o Hayek, a ditadura pode ser um passo necessário para se chegar a um verdadeiro mercado livre, sem regulação do Estado nem oposição política.