Nota do editor: este artigo é um resumo de parte do artigo da Jay Griffiths, publicado na «Aeon» [1]


O manifesto futurista falava da guerra como a higiene do mundo. Os libertários da actualidade apoiam o brexit e make america great again, atacam os activistas do Black Lives Matter (porque, «atrás de cada piada racista, há um facto científico», dizem eles) e chegam a defender o genocídio dos nativos americanos que insistirem em «viver como selvagens».

Os futuristas desdenhavam as mulheres. Os libertários comparam o aborto ao Holocausto, apoiam o Donald Trump, quando ele diz que «amamentar é nojento», e opõem-se às restrições à pornografia com menores [2]. A sua liberdade de expressão esmaga todas as liberdades das minorias.

Tal como os fascistas italianos se reviam no Duce, os libertários apoiam «homens fortes» — Übermensch na esteira do Donald Trump e do Vladimir Putin — com um toque de máfia, como se torna aparente com a tomada do poder pelos familiares do Donald Trump.

Em todo o lado na narrativa libertária, surgem pedaços da História italiana, com um sabor a decadência do império romano, a começar pela flagrante sexualidade pública abusiva do Donald Trump e a continuar no carisma das figuras cimeiras de ambos os movimentos, que praticamente impelem a audiência a aplaudir, mesmo que não concorde com o discurso.

Um pormenor não despiciendo são as fotografias em tronco nu de muitas figuras libertárias e, notavelmente, do presidente russo Vladimir Putin, reflexo dum ideal fascista hipermasculino de brutalidade física. Este ideal surge alinhado com a vilificação futurista do corpo feminino e a sua busca duma transcendência hipermasculina da humanidade concretizada no «homem multiplicado».